Expansão de exportações agrícolas deve acabar em 2006

O ciclo de expansão das exportações agrícolas do Brasil chegará a um limite em 2006. A avaliação é da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que estima que o País não conseguirá repetir neste ano o saldo positivo na balança de exportação como o que foi atingido em 2005. Cálculos da entidade apontam que as exportações crescerão, mas em um ritmo menor ao do ano passado. Já as importações sofrerão uma aceleração. "O ciclo virtuoso da agricultura brasileira está chegando ao fim", afirmou Antonio Donizeti Beraldo, chefe do Departamento de Comércio Exterior da CNA. Pelos dados da entidade, o Brasil exportou US$ 43 bilhões em produtos relacionados ao agronegócio em 2005 de um total de US$ 118 bilhões de vendas de produtos brasileiros no exterior. As importações agrícolas chegaram a US$ 5 bilhões. Para 2006, porém, o superávit que foi de US$ 38 bilhões no setor agrícola deve ser reduzido em US$ 1 bilhão. Isso porque as importações devem aumentar em 20%, chegando a US$ 6 bilhões. Trigo e milho serão os principais responsáveis por esse incremento. Motivos Os motivos para a queda no saldo seriam pelo menos três: o valor do dólar frente ao real, a estiagem dos últimos dois anos e a queda no preço internacional de algumas commodities. O exemplo mais claro é o da soja. Há dois anos, o País exportava o produto a um preço de US$280 por tonelada, levando em consideração que o dólar estava cotado a R$2,8. Hoje, o preço internacional caiu para US$220, enquanto o dólar vale apenas R$2,2. "O volume de exportações pode até aumentar, mas o valor arrecadado será menor", explicou o representante da CNA. Pelas projeções do setor, as exportações de soja chegarão a US$8,5 bilhões em 2006, contra mais de US$10 bilhões em 2005. Para completar, o temor da gripe aviária na Europa freou o crescimento das exportações de frango do País. Para Beraldo, depois de ver o superávit dobrado ente 2001 e 2005, o Brasil chegou a um limite que só será superado se questões estruturais, como infra-estrutura, forem solucionadas. Segundo a CNA, o PIB agrícola, que já caiu em cerca de 5% em 2005, voltará a sofrer uma queda em 2006 diante dessa situação.

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