Expansão do crédito é sinal verde para um Natal rico

Enquanto em setembro os gastos de custeio do Tesouro Nacional aumentaram 7,8%, injetando moeda na economia, constata-se que ha crédito suficiente para bancar uma forte demanda. Não somente o crédito total em setembro cresceu 1,8%, mas, segundo informações do chefe do Departamento Econômico do Banco Central, até o dia 11 de outubro tinha havido uma expansão de 2,7% do crédito livre para pessoas físicas (PFs) e de 2,1%, para as pessoas jurídicas (PJs) - crescimento muito superior ao do Produto Interno Bruto (PIB), permitindo prever vendas natalinas mais do que robustas.

, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2010 | 00h00

O relatório publicado ontem pelo Banco Central sobre as operações do sistema financeiro em setembro mostra o crédito direcionado crescendo 1,7%, enquanto o saldo das operações com recursos livres aumentava 1,8%. O total dos créditos representa agora 46,7% do PIB, o que permite verificar que o Brasil, com a melhoria dos rendimentos, tende a ter uma relação crédito/PIB próxima da exibida pelos países desenvolvidos.

A velocidade do crescimento do crédito se justifica nas vésperas das festas de final de ano. Todavia, está ocorrendo apesar de uma taxa de juros que, no contexto internacional, pode ser considerada como muito alta: média de 29%, para pessoas jurídicas; e de 24,1%, para pessoas físicas.

Nos nove primeiros meses do ano houve aumento do saldo, de 11% para as empresas e de 21,4% para as famílias, diferença que se torna ainda mais sensível quando se consideram as concessões acumuladas: redução de 0,7% para as primeiras e aumento de 16,1% para as últimas. Parece que o governo quer estimular o consumo (com suas consequências para uma elevação das importações), mas se mostra pouco sensível para as empresas, que procuram não se endividar em virtude do alto custo do crédito. Aliás, até o dia 11 de outubro, enquanto as taxas para as pessoas físicas ficaram estáveis, para as pessoas jurídicas aumentaram de 29% para 29,1%. Cabe lembrar que, nos dois casos, se trata da menor taxa desde que a série existe - e o prazo do crédito ficou em 541 dias em média, sem que se registrasse aumento da inadimplência, que ficou em 4,6% do total do crédito para as PFs.

A conjunção desses dados permite pensar que a economia vai enfrentar uma explosão da demanda no final do ano, o que terá duas consequências negativas: uma retomada da pressão inflacionária e um forte aumento das importações.

Dada a perspectiva, é justo perguntar se não caberia ao Banco Central adotar medidas para conter uma demanda que, nas condições atuais, é excessiva.

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