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Expansão do crédito tem sustentabilidade, avalia Fazenda

Segundo documento divulgado pelo Ministério, endividamento das famílias brasileiras aumentou cerca de 14 pontos porcentuais entre o final de 2006 e o final de 2010

Renata Veríssimo, da Agência Estado,

30 de maio de 2011 | 13h52

O boletim "Economia Brasileira em Perspectiva" do Ministério da Fazenda, relativo ao primeiro bimestre, destacou que há uma "expansão do crédito (no País) com sustentabilidade no médio e longo prazos, sem a criação de bolhas", mesmo com o crescimento do endividamento e do comprometimento da renda. Segundo o documento, que está disponível no site do Ministério, o endividamento das famílias brasileiras aumentou cerca de 14 pontos porcentuais entre o final de 2006 e o final de 2010. O brasileiro também comprometia 21,5% de sua renda no final do ano passado, ante 18,6% em 2006.

Por outro lado, segundo o Ministério, as taxas de inadimplência diminuíram ao longo dos últimos dois anos como resultado do aquecimento da economia, redução das taxas de desemprego e aumento da renda. "A expansão do crédito mais concentrada em modalidades de menor risco e com exigência de garantias também contribuiu para a diminuição dos níveis de default no segmento de pessoa física", afirmou o boletim. O Ministério avaliou que o aumento dos níveis de inadimplência observados no segmento corporativo logo após a crise de 2008 está estável.

Dentre as operações de crédito para o consumidor, o boletim destacou o aumento do crédito consignado, cujo saldo, em dezembro de 2010, foi 28,2% superior a dezembro de 2009. O Ministério da Fazenda, no entanto, espera que as elevações da taxa Selic, o aumento dos compulsórios e a adoção de outras medidas macroprudenciais proporcionem queda no ritmo de crescimento do crédito ao consumidor em 2011.

O boletim mostra, também, a evolução da concessão de créditos por segmentos. Em fevereiro de 2011, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o desembolso de crédito dos bancos privados nacionais cresceu 21,65% e, dos estrangeiros, 15,96%. Já os bancos públicos obtiveram crescimento de 22,62% na mesma base de comparação.

A participação do BNDES no crédito total do sistema permanece dentro dos patamares históricos e ficou em 20,9% em fevereiro de 2011. A média dos últimos cinco anos foi de 18,8%.

Empresas

Com taxas de juros em queda, o crédito para as empresas avança numa velocidade muito maior do que para as pessoas físicas. Ao contrário das taxas de juros de empréstimos para as pessoas físicas, a taxa de juros média dos financiamentos para pessoa jurídica caiu em abril e também em maio. A taxa de juros média do crédito para as empresas recuou em maio até o dia 13, 0,2 ponto porcentual. Em abril, a taxa de juros média tinha caído, 0,3 porcentual. Para pessoa física, o juro médio subiu 0,9 ponto porcentual em maio até o dia 13.

Em contrapartida, o saldo dessas operações cresceu em ritmo mais alto. Em maio até o dia 13, a média diária das concessões do crédito livre cresceu 3,6%, enquanto a média diária das novas concessões de empréstimos para pessoas jurídicas subiu 6,4%. Já para a pessoa física, esta média diária ficou estável. O estoque de crédito para as empresas nesse período mostra aumento de 1,7%, ante 1% para as pessoas físicas.

 

 

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