Expansão do Mercosul pode dificultar acordos comerciais

A revista The Economist, em sua edição desta semana, afirma que a expansão do Mercosul "está pervertendo seu propósito". A publicação britânica observa que a entrada da Venezuela aumenta a população do bloco para 250 milhões de habitantes e seu Produto Interno Bruto (PIB) para US$ 1,1 trilhão. "Mas ela arrasta o grupo para ainda mais longe de seu objetivo original de implantar uma integração ao estilo europeu na América do Sul", disse a Economist.Segundo a revista, o encontro de cúpula do Mercosul, realizado na semana passada na Argentina, resultou em alguns gestos similares aos europeus, ao estimular a criação de um fundo com US$ 100 milhões para canalizar os petrodólares venezuelanos para os menores sócios do bloco, Paraguai e Uruguai. "Mas isso não pode compensar pelo estresse causado pela entrada de novos membros que têm interesses disparatados e que, alguns casos, são hostis em relação a partes do resto do mundo", disse.A revista observa que o Brasil e a Argentina convidaram a Bolívia, "governada pelo fervoroso nacionalista Evo Morales", para entrar no grupo. Isso, acrescentou a Economist, poderia fortalecer o "estridente coro antiamericano liderado" por Hugo Chávez e dividir o Mercosul entre um campo pragmático, liderado pelo Brasil, e um ideológico, capitaneado pelo presidente venezuelano.A publicação observa que esse ambiente no bloco é especialmente preocupante com o colapso aparente da rodada de Doha, que deverá estimular acordos comerciais entre regiões. "Um acordo entre o Mercosul e os Estados Unidos, que já era improvável, agora o parece mais ainda", disse. "A confusão multilateral poderia afiar o apetite da União Européia por um acordo com o Mercosul, mas o fracasso em se chegar a um acordo na redução dos subsídios agrícolas ofusca as esperanças de que ele seja alcançado."

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