Expansão do parque de refino é problema ou solução?

A expansão dos investimentos da Petrobrás em refino foi apontada como uma estratégia economicamente não fundamentada. Ou seja, ao investir na expansão do parque de refino, a Petrobrás estaria apenas cumprindo objetivos políticos e colocando em risco sustentabilidade financeira da empresa.

Análise: Edmar Luiz Fagundes de Almeida, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

No último plano estratégico da Petrobrás, a empresa anunciou que pretende investir US$ 224 bilhões entre 2010-2014. Deste total, cerca de US$ 70 bilhões irão para a área de refino. O argumento de que é mau negócio investir tanto dinheiro no refino se baseia no fato de que esse segmento da cadeia do petróleo apresenta rentabilidade menor que o segmento de exploração e produção. Trata-se de um negócio de elevada intensidade em capital e margens reduzidas.

Essa constatação parece paradoxal, pois as empresas de petróleo conhecidas como "supermajors" (Exxon, Shell, BP, Chevron e Total) têm juntas uma capacidade de refino que é quase o dobro da produção. Portanto, se esse fosse um critério importante de avaliação, elas deveriam estar muito mal avaliadas.

O que é importante ressaltar é que as empresas de petróleo sempre buscaram atuar de forma integrada na cadeia de petróleo. Poucas conseguem atuar com uma integração adequada entre produção e refino.

Podemos concluir que os investimentos da Petrobrás em refino não cumprem apenas uma agenda de política pública. Ao expandir seu parque de refino, a Petrobrás faz aquilo que todas as grandes empresas de petróleo gostariam de fazer, mas não conseguem.

É PROFESSOR DO GRUPO DE ECONOMIA DA ENERGIA - INSTITUTO DE ECONOMIA - UFRJ

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