Expansão do PIB chinês cai para 9% em 2008

Desaceleração deve continuar, levando Pequim a apressar esforços para injetar dinheiro na economia

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

22 de janeiro de 2009 | 03h10

A economia chinesa deu uma freada brusca no quarto trimestre de 2008, o que derrubou o índice de crescimento de todo o ano para 9%, o menor patamar desde 2001. Sob impacto da crise global, o PIB do país teve expansão de 6,8% no período de outubro a novembro, quase metade do ritmo registrado nos últimos três meses de 2007.   Veja também De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise    Vários analistas estão reduzindo suas projeções de crescimento da terceira maior economia do mundo e alguns já falam em índices próximos de 6% neste ano, o que equivale a um pouso forçado na China.   O país não experimenta uma velocidade tão lenta desde 1990, quando o PIB teve alta de 3,8% em consequência dos efeitos do massacre de estudantes que realizaram manifestações pró-democracia na praça da Paz Celestial, em junho de 1989. Na época, o processo de reforma econômica foi paralisado e investidores internacionais fugiram do país.   A economista-chefe do banco UBS na China, Wang Tao, reviu sua estimativa de crescimento de 2009 de 7,5% para 6,5%. Em sua avaliação, o índice ficará abaixo de 6% no primeiro semestre e terá reação na segunda metade do ano em razão do pacote de estímulo de US$ 598 bilhões anunciado pelo governo em novembro.   As estatísticas oficiais não comparam o crescimento do quarto trimestre em relação ao terceiro, mas o economista-chefe do Standard Chartered para a China, Stephen Green, calcula que o indicador foi zero ou ligeiramente negativo. Para o ano, ele aposta em alta de 6,8% do PIB.   Existe quase um consenso entre os especialistas de que a China tem de crescer pelo menos 8% ao ano para gerar os cerca de 12 milhões de novos empregos necessários para absorver os camponeses que se mudam para as cidades e os jovens que entram no mercado de trabalho. "A crise financeira internacional está se aprofundando e se espalhando, com persistente impacto negativo sobre a economia doméstica", diz o relatório do Escritório Nacional de Estatísticas sobre o PIB de 2008.   O ritmo de expansão da China está em queda desde o fim de 2007, ano em que a economia cresceu 13%, de acordo com dados revisados divulgados na semana passada. O indicador passou de 10,6% no primeiro trimestre de 2008 para 10,1% no segundo, 9% no terceiro e 6,8% no quarto.   O comércio internacional é o setor que sofreu o maior impacto da desaceleração mundial, o que é uma má notícia para o Brasil, já que a China foi o segundo maior parceiro comercial do país no ano passado, atrás apenas dos Estados Unidos.   A derrubada do preço das commodities e a menor demanda interna levaram as importações chinesas a uma contração de 8,8% nos últimos três meses de 2008, enquanto as exportações subiram apenas 4,3% no mesmo período.   Os embarques brasileiros para a China tiveram queda de 30,13% em novembro, depois de registrarem alta de 63% nos primeiros dez meses do ano. As exportações se recuperaram um pouco em dezembro, mas tiveram uma alta modesta de 6,79%.   No ano, as vendas chinesas ao exterior somaram US$ 1,429 trilhão, com alta de 17,2%, 8,5 pontos percentuais abaixo do aumento registrado em 2007. As importações foram de US$ 1,133 trilhão, 18,5% a mais que no ano anterior, no qual a alta havia sido de 20,8%.   O superávit comercial da China com o restante do mundo cresceu 12,7% e atingiu o recorde de US$ 295,5 bilhões, 12 vezes mais que o saldo registrado pelo Brasil no mesmo período. A queda nas exportações levou ao fechamento de milhares de fábricas na província sulista de Guangdong, que concentra setores como brinquedos, calçados e têxteis.   Wang Tao, do UBS, estima que 15 milhões de pessoas perderão seus empregos no país até a metade do ano. A maioria esmagadora é de migrantes rurais, que voltaram às suas vilas de origem.   O Ano Novo chinês, que será celebrado dia 26, é uma data tradicional de retorno dos migrantes a suas casas e, para muitos, é a única oportunidade de reencontro com suas famílias. A diferença é que muitos deverão ficar no campo depois do feriado, já que não haverá suficiente oferta de novos empregos nas cidades.

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