Expectativa com ajuda a bancos impulsiona bolsas

Bovespa segue o desempenho das bolsas americanas e opera em alta de 3,57%, acima dos 40 mil pontos

Da Redação,

28 de janeiro de 2009 | 14h10

Sinais de que o governo de Barack Obama está próximo de um acordo para comprar ativos ruins ou ilíquidos de instituições bancárias nos Estados Unidos trouxe alívio, ao menos momentâneo, aos mercados. Às 14h, as bolsas em Nova York operam em alta. O índice Dow Jones opera em alta de 1,70%. A Nasdaq sobe 2,62%. As ações de bancos lideram os ganhos, com Citigroup disparando 20% desde a abertura e Bank of America subindo 18%. Veja Também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise  No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) segue o desempenho das bolsas americanas e opera em alta de 3,57%, acima dos 40 mil pontos. As maiores altas dentro do índice de ações são da Gafisa ON (12,05%), Cyrella ON (10,67%) e Petrobras ON (6,67%). As ações de bancos brasileiros também estão em alta. Os papéis da Bradespar PN sobem 5,70%; Unibanco; 5,73%; e Itaú, 5,31%. Obama disse nesta quarta-feira, 28, que tem confiança de que o Congresso aprove o pacote de estímulo à economia de US$ 825 bilhões. "Estou confiante de que vamos ver isso aprovado", afirmou o presidente a repórteres no início de uma reunião na Casa Branca com executivos de 13 grandes empresas. Os participantes da reunião são Steve Appleton, da Micron Technology, David Berger, da JetBlue Airways, Greg Brown, da Motorola, John Bryson, da Edison International, David Cote, da Honeywell International, Debra Lee, da BET Holdings, Anne Mulcahy da Xerox, Sam Palmisano, da IBM, Antonio Perez, da Eastman Kodak, Eric Schmidt, da Google, Michael Splinter, da Applied Materials, Wendell Weeks, da Corning, e Ron Williams, da Aetna. "Essas são as pessoas que fazem as coisas, que contratam pessoas; elas estão na linha de frente", disse Obama aos repórteres. Ele prometeu que seu governo adotará uma transparência sem precedentes na execução do plano de estímulo à economia. "Eu sei que alguns estão céticos quanto ao tamanho e à escala desse plano de recuperação. Eu entendo o ceticismo, o que é a razão pela qual esse plano de recuperação vai incluir medidas sem precedentes que permitirão que o povo americano possa cobrar prestações de contas de minha administração", disse o presidente. "Ao invés de simplesmente jogar dinheiro em nossos problemas, vamos tentar algo novo em Washington: vamos investir no que funciona. Ao invés de os políticos destinarem dinheiro por trás de um véu de segredo, as decisões sobre onde vamos investir serão tornadas públicas, e informadas por especialistas independentes sempre que for possível", afirmou o presidente. Pacote O Comitê de Finanças do Senado concordou ontem à noite em acrescentar uma provisão de US$ 70 bilhões ao pacote proposto para recuperação econômica, destinada a proteger contribuintes de média renda do imposto mínimo alternativo em 2009. A inclusão disso eleva o total de provisões para impostos na versão do Senado para o projeto de estímulo para US$ 342 bilhões nos próximos 10 anos. Com isso, o custo total do pacote do Senado se aproxima de US$ 900 bilhões. O comitê aprovou a medida por 14 votos a 9, com todos os republicanos contra, com exceção do senador Olympia Snowe. O Senado poderá votar no projeto mais amplo, que também inclui gastos com infraestrutura, até o final de semana. Boa parte do projeto aprovado pelo Comitê de Finanças do Senado ontem à noite é similar às provisões para impostos incluídas na versão da Câmara dos Representantes para o pacote de estímulo. O plano concederia um crédito de US$ 500 contra impostos que incidem sobre a folha de pagamento para quase todos os norte-americanos, com exceção dos 5% mais ricos. A proposta do Senado cortaria os impostos para empresas ao permitir depreciação mais rápida de equipamentos e ajudar as empresas a converter prejuízos em restituição de impostos, permitindo que elas usem prejuízos no ano atual para compensar dívidas tributárias retroativas a até cinco anos. Assim como a proposta da Câmara, essa provisão de impostos retroativa não estará disponível aos que recebem fundos de resgate do Tesouro. No total, os benefícios tributários para as empresas alcançam US$ 25 bilhões nos próximos 10 anos na proposta do Senado, enquanto no projeto da Câmara chegaria a US$ 20 bilhões. Medidas O projeto também eleva os pagamentos federais no programa Medicare aos Estados em US$ 87 bilhões. O Comitê de Finanças concordou ainda em tornar mais atrativa a isenção tributária para empresas que recompram dívida. Além disso, o projeto no Senado estenderia o período para as pessoas que compram casas pela primeira vez se qualificarem para uma isenção tributária. No projeto da Câmara, os compradores que adquirirem casas antes de 1 de julho de 2009 podem se qualificar para um crédito tributário de US$ 7.500, que precisarão pagar ao governo ao longo de 15 anos. A proposta do Senado permite que aqueles que comprarem casas até 1 de setembro de 2009 possam se qualificar e abre mão da exigência de pagamento para as casas compradas entre 1 de janeiro e 1 de setembro de 2009. O projeto gastaria ainda US$ 31 bilhões nos próximos 10 anos para investimentos em energia renovável e US$ 27 bilhões para ajudar trabalhadores desempregados a se manter no Programa Cobra, que paga custos médicos de curto prazo para os que perderam o seguro-saúde como resultado da perda de emprego. Há ainda US$ 39 bilhões para aumentar benefícios de desemprego e US$ 4 bilhões para programas de bem-estar social e apoio infantil. Segundo notícia do Wall Street Journal, assim que a Câmara e o Senado aprovarem as suas versões do pacote de estímulo, negociadores dos dois lados irão elaborar uma versão final do projeto, que precisará ser votada na Câmara e no Senado antes de chegar nas mãos do presidente Obama. As informações são da Dow Jones.

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