REUTERS/Kevin Lamarque
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Expectativa com desfecho de guerra comercial no G-20 é baixa

Apesar de Trump ter voltado a dizer que vai se encontrar com o presidente chinês, analistas acreditam que disputa entre EUA e China não será encerrada no encontro no Japão 

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2019 | 12h22

LONDRES - Marcada para começar daqui a 10 dias, a cúpula de líderes das 20 maiores economias do globo ganha cada vez mais espaço nos relatórios das instituições financeiras internacionais, apesar de as expectativas em relação a uma ação prática sobre a reunião serem baixas. O ponto alto do evento de Osaka, no Japão, é o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping.

Na manhã desta terça-feira, 18, Trump afirmou no Twitter que teve uma conversa por telefone "muito boa" com Xi. "Teremos uma reunião prolongada na próxima semana no G-20, no Japão", disse. 

A reunião era uma questão em aberto, após o americano ter dito recentemente que, caso não se encontrasse com Xi, mais tarifas seriam impostas à China. "Nossas respectivas equipes iniciarão conversações antes de nossa reunião (no G-20)", acrescentou Trump na rede social.

Os economistas Shuang Ding e Wei Li, do Standard Chartered Bank de Hong Kong e China, respectivamente, salientaram que, apesar da alta ansiedade, as expectativas são baixas para o encontro. "Nossos clientes veem a cúpula do G-20, em 28 e 29 de junho, como um evento crucial, que pode determinar a intensidade das tensões comerciais entre os EUA e a China e as respostas políticas subsequentes", pontuaram.

Eles salientaram que Trump continua a exercer pressão sobre a China em questões comerciais, enquanto o presidente Xi está preparando o país para uma extensa guerra comercial. Os analistas relataram que, em um evento recente em Guangzhou, menos de 10% dos clientes colocaram a probabilidade de um acordo comercial logo após a cúpula do G-20 em mais de 50%. Eles dizem estar convencidos, no entanto, de que a reunião entre os dois líderes está em formação. Os profissionais do Standard Chartered não acreditam que a China desperdiçará uma oportunidade de demonstrar seu compromisso de evitar uma guerra comercial que poderia prejudicar o crescimento econômico global.

Para eles, Xi e Trump provavelmente concordarão com os princípios para a retomada das negociações comerciais: para Xi, o importante é preservar a "soberania e dignidade" da China; para Trump, tornar o acordo obrigatório é essencial. "Não achamos que essas diferenças sejam irreconciliáveis, se houver uma forte vontade política para preencher a lacuna." O mercado estaria, portanto, muito pessimista em relação a um acordo comercial nos próximos dois a três meses, segundo Ding e Li.

O economista do BofA Merrill Lynch Global Research, David Hauner, disse que 65% dos investidores esperam uma extensão do status quo na reunião do G-20, com o restante dividido entre novas tarifas e um acordo fraco, com a permanência das tarifas antigas. Praticamente ninguém (3%) espera um grande avanço. "Os investidores em mercados emergentes estão posicionados defensivamente, com níveis de caixa elevados e coberturas cambiais mais altas, de acordo com o nosso relatório de fluxo semanal", frisou.

Ainda nesta segunda, o economista-chefe na área de Modelagem Econômica e Análise de Longo Prazo do espanhol BBVA, Julián Cubero, também enfatizou que a maior "excitação" por parte dos observadores da reunião de cúpula do G-20 será por algo que já foi muito aguardado na edição anterior, na Argentina: o comunicado que se segue ao encontro e, principalmente, um aperto de mãos entre os presidentes americano e chinês.

Do que foi relatado até o momento, os dois lados parecem ter chegado a um entendimento sobre 90% das questões após 11 rodadas de negociações. "Se a cúpula do G-20 não conseguir evitar uma escalada da guerra comercial, esperamos que o governo chinês implante mais estímulo fiscal, complementado pela expansão do crédito e uma possível flexibilização seletiva das políticas do mercado imobiliário, para manter o crescimento do PIB acima de 6%. As autoridades também podem permitir mais flexibilidade de câmbio, em parte devido à mudança de fundamentos", analisaram Ding e Li.

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