Expectativa da indústria desaba para menor nível desde 95

Previsões de desemprego e avaliações ruins sobre negócios pesaram sobre as expectativas do setor

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

30 de janeiro de 2009 | 15h16

Os resultados ruins da indústria provocados pela crise mundial derrubaram O Índice de Expectativas (IE) da indústria em janeiro para o pior nível da série histórica, iniciada em abril de 1995. De acordo com os dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o indicador caiu para 72,2 pontos em janeiro, de 73,3 pontos em dezembro de 2008, um recuo de 1,5%. Na comparação com janeiro de 2008, o tombo foi de 36,9%. Em dezembro, o índice havia registro recuo de 11,2% na base mensal e de 36,9% na comparação anual.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     Para o coordenador da pesquisa, Aloísio Campelo, o que levou o indicador para "o fundo do poço" foi o recuo nas expectativas para o emprego nos próximos três meses e a avaliação dos industriais sobre a tendência dos negócios no período de seis meses. As previsões para o emprego para os próximos três meses caíram para 81,6 pontos, o pior resultado desde abril de 1999, quando o indicador estava em 81 pontos.   De acordo com o levantamento, 31,7% dos entrevistados preveem aumento do desemprego e apenas 13,3% acreditam em melhora nas contratações. Entre os segmentos que mais influenciaram a queda nas expectativas para o emprego, estão o setor químico e o de produtos alimentares. Já os setores que pesaram sobre as perspectivas de desemprego em dezembro, como metalurgia, mecânica e materiais de transporte, registraram na realidade recuperação em janeiro, destacou o coordenador da pesquisa.   "É um resultado desfavorável", avaliou Campelo. Entretanto, ele ressaltou que, em ciclos econômicos de recuperação, o emprego tende a reagir após a produção, que se recupera mais cedo. De acordo com a pesquisa divulgada hoje, o índice da produção prevista para os próximos três meses avançou de 90,9 pontos para 98,3 pontos entre dezembro e janeiro.   Os indicadores da FGV variam de 0 a 200 pontos e 100 pontos indicam estabilidade. Números abaixo deste patamar indicam pessimismo e acima disto, otimismo. Para o levantamento, foram entrevistadas 1.104 empresas entre os dias 5 e 26 de janeiro.

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