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Expectativa é de corte no juro

Empresários e sindicalistas defendem redução forte da Selic, de 1 a 2 pontos porcentuais, em janeiro

Renée Pereira e Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

A retomada do ciclo de redução da taxa de juros em 2009 já é consenso entre economistas, centrais sindicais e empresários. A dúvida que paira no ar é a intensidade do corte a ser promovido pelo Banco Central (BC) a partir da próxima reunião, entre os dias 20 e 21 de janeiro. "Não será uma quedinha de 0,25 ponto que vai dar jeito na situação. No mínimo, precisamos de um corte de 1 ou 2 pontos porcentuais de uma vez só", analisa o professor da Unicamp, Júlio de Almeida.Na avaliação dele, o Brasil está na contramão da economia mundial em termos de política monetária e não pode mais perder tempo. "Estamos à beira de uma recessão industrial, que daqui a pouco pode ser transmitida para a economia como um todo. É inconcebível que só agora o Brasil tome uma atitude em relação aos juros. Por isso, agora a redução tem de ser maior." O economista da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), Altamiro Carvalho, também defende um corte maior. Neste momento, diz ele, uma queda de 0,25 ponto não seria suficiente para estimular os investimentos nem para retomar o volume de crédito no País. Ao contrário de Almeida, no entanto, Carvalho aposta em cortes graduais de 0,5 ponto a partir de janeiro. "Acredito que haja espaço para o BC reduzir uns 3 ou 4 pontos no ano que vem."Para ele, o País perdeu uma grande oportunidade de reduzir a desaceleração da economia nacional por meio da política monetária, já que o risco inflacionário é mínimo. Parte da alta do dólar, diz ele, será compensada pela queda no preço das commodities. "Essa não é uma preocupação agora. Temos de entrar num cenário de juros menores para desonerar dívida pública, dar espaço para a iniciativa privada investir e a população tomar crédito para consumir."O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, defende redução de 1 ponto percentual nos juros na reunião de janeiro. "Deveria haver uma queda acentuada logo nos primeiros meses de 2009, de modo a chegarmos no final do ano com uma taxa de juros que seja no mínimo a metade da que temos hoje", diz o líder sindical. "Não temos mais o medo da inflação. Para lidar com a crise, é preciso reduzir juros e a carga tributária, e não flexibilizar as leis trabalhistas."Para Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a preocupação com a inflação não justifica mais os juros altos. "Os juros podem e devem cair." Segundo ele, a queda na inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA-15), que é uma prévia do índice do mês de dezembro, ficou em 0,29% - ante 0,49% em novembro. "Se fecharmos o mês nesses patamares, a inflação em 2008 fica em torno de 5,5%, abaixo do teto do governo, de 6,5%." Na opinião do economista, voltar ao nível do início do ano, de 11,25%, seria um avanço, mas insuficiente no atual cenário. "Seria como tirar o bode da sala. Será preciso ir além."

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