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Expectativa é de que alta de juro nos EUA ocorra em dezembro, aponta instituto

Segundo instituto de pesquisas Markit, caso a atividade econômica dos EUA continue melhorando, 'será difícil' para o Fed (BC do país) não elevar os juros na reunião no final do ano

Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo

17 Setembro 2015 | 16h55

NOVA YORK - Com a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de manter os juros na reunião de política monetária que acabou nesta quinta-feira, as apostas agora são para que o aumento ocorra na reunião de dezembro, avalia o economista-chefe do instituto de pesquisas Markit, Chris Williamson.

O alívio para os mercados deve ser apenas temporário, ressalta o economista em um relatório a clientes, já que é inevitável um aumento dos juros nos Estados Unidos nos próximos meses, pela própria melhora da economia. "A decisão do Fed deve ser vista por muitos agentes como apropriada", afirma Williamson. "Apesar de a economia dos EUA mostrar números saudáveis, o aumento da preocupação com a desaceleração do crescimento fora dos EUA, principalmente da China, e a recente turbulência no mercado financeiro mundial mostram que este não é o momento apropriado para um aumento dos juros." 

Para o economista da Markit, até dezembro, o Fed terá mais um conjunto de indicadores da economia norte-americana para avaliar, incluindo mais três relatórios mensais de emprego. Com isso, pode ter evidências de um eventual impacto da piora do mercado e da desaceleração da China na atividade dos EUA e em indicadores de confiança. Se os dados continuarem mostrando melhora da atividade, vai ser difícil para o Fed não elevar os juros, disse ele. 

De acordo com as projeções divulgadas nesta quinta-feira, 13 dos 17 dirigentes continuam a acreditar que o Fed será capaz de elevar os juros ainda este ano. "É menos do que os 15 que esperavam o aumento em 2015 na reunião de julho, mas ainda uma sólida maioria", destaca Williamson. Além disso, ele menciona que o gráfico de pontos, que mostra as previsões dos 17 dirigentes do Fed sobre os juros até 2018, sinaliza que pode ocorrer um aumento este ano. 

A medida das previsões aponta para juros em 0,375% no final do ano e mostra estimativas menores para 2016 e 2017 quando comparadas com a reunião de junho. "O Fed se tornou mais 'dovish'", afirma o economista da Markit, destacando o termo do mercado financeiro usado para designar agentes menos favoráveis a alta de juros.

O economista da Markit avalia que a volatilidade nos mercados pode continuar elevada nos próximos meses, seja por preocupações com a China, seja por questionamentos sobre os rumos da economia dos EUA. Nas novas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país divulgadas nesta quinta-feira, os números de 2016 foram revisados para baixo e os de 2017 e 2018 mostram o indicador crescendo ao redor de 2%, abaixo da media histórica e do potencial, na casa dos 3%.

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