Expectativa em relação à nova política industrial é baixa

Ainda à espera de uma nova política industrial, quase sete meses após o início do governo Dilma, empresas do setor têm pouca expectativa em relação ao real impacto na competitividade das medidas cogitadas pelo governo. Apenas a desoneração da folha de pagamentos é vista como algo substancial e viável no curto prazo, mas nem mesmo essa decisão está fechada.

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2011 | 00h00

Em 2010, uma pesquisa da Fiesp apontou a tributação, o custo de capital e a mão de obra como as três principais barreiras da indústria. O câmbio, apontado como o maior vilão da competitividade, está em quarto lugar.

Maurício Cunha, diretor industrial da montadora de ônibus Caio Induscar, diz que, se a nova política industrial trouxer apenas iniciativas modestas no campo tributário, o efeito será limitado na empresa. "Nosso produto é intensivo em mão de obra. Cada ônibus tem de 18% a 22% do custo na mão de obra. Não é nada extraordinário porque o grande custo é a matéria-prima, mas já teria um impacto real. Além disso, nosso clientes são empresas de ônibus, que também teriam mais espaço para investir na frota se tivessem alívio na folha de motoristas e cobradores."

Segundo estimativa da Fiesp, cada ponto porcentual de desoneração líquida da folha proporcionaria uma elevação de 0,78% no investimento do setor.

Cleber Morais, diretor-presidente da Bematech, acha que o governo começou agora a entender que é preciso preservar a competitividade da indústria nacional e por isso demora a fechar a nova política. Fabricante de softwares e equipamentos de informática, a Bematech investe para tentar aumentar produtividade e competir com os importados chineses. "Competir globalmente é um desafio muito forte hoje. Só a desoneração da folha é muito pouco dada a complexidade que a gente vive."

Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën na América Latina, também vê a redução dos encargos com bons olhos, mas aponta a falta de infraestrutura e o elevado custo de matérias-primas como problemas mais agudos. "Também há os impostos e os juros altos, já que nosso setor é muito dependente de capital, mas diria que já seria um bom passo aliviar os insumos e melhorar a infraestrutura."

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