Expectativas pressionaram câmbio, diz Nathan

Nem eleição no Congresso, nem fundamentos econômicos. Para o consultor Nathan Blanche, da consultoria Têndências, o motivo para a alta recente do câmbio, que levou o dólar a passar de R$ 2,00, foram as expectativas do mercado. E estas expectativas, segundo ele, foram alimentadas pelo próprio Banco Central e pelo Tesouro, que anunciaram em janeiro que o Tesouro compraria até US$ 3 bi no mercado neste ano. Para Nathan, o anúncio não trouxe pressão tanto pelo valor, que pode até ser absorvido, mas pelo "recado". "O mercado entendeu que interessa ao BC um dólar mais alto", comentou Nathan. Some-se a isto a balança negativa e a pressão ganhou fôlego, embora Nathan não veja motivos para tensão com o déficit comercial. "A balança foi negativa em US$ 700 mi em 2000, mas o fluxo comercial foi positivo em US$ 5,5 bi e isto mostra que o déficit foi financiado com tranquilidade", comentou. Também a disputa no Congresso não é culpada pela pressão cambial, segundo Nathan, porque não há nenhuma votação importante de reforma em pauta. Ele considera que a sucessão que preocupa o mercado é a de 2002, que está distante. Diante da expectativa de desvalorização cambial, ele lembra que os futuros em Nova York já projetam o dólar a R$ 2,15 em doze meses. Se atingida, esta cotação poderia pressionar a inflação. "O passtrought pode aumentar com o crescimento do PIB", adverte. De qualquer forma, o consultor não crê nesta hipótese e conta com um recuo do dólar no curto prazo diante dos bons fundamentos da economia. Ele lembra que, nas últimos semanas, o gráfico do câmbio e do risco Brasil medido pelo spread do C-bond tem mostrado divergência, com alta do primeiro e queda do segundo. "Sinal de que o dólar está subindo por expectativas, e não por fundamentos", afirmou.

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