Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Experiência comercial e vocação para o sucesso

Grande homenageado do evento deste ano, ele fala de suas principais obras, considerando um legado da construtora para SP

João Carlos Moreira ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2018 | 05h00

Ernesto Zarzur é um dos homens mais bem-sucedidos do setor imobiliário. Entrou para a atividade a reboque do irmão mais velho e em conflito com o pai. Não gostava de trabalhar na indústria têxtil da família, no bairro de Pirituba e, à medida que a idade avançava, decidiu por volta dos 22 anos se juntar ao escritório de engenharia que o irmão acabara de abrir. A despeito da vontade do pai, foi ali que Zarzur encontrou sua vocação e onde teria início uma carreira de conquistas sucessivas.

Zarzur deu os primeiros passos no setor na década de 1950. “Meu irmão me pagava um salário, mas eu preferia ganhar comissão sobre as vendas que fazia”, conta. Passou, então, a atuar como corretor de imóveis e a conhecer na prática os segredos do mercado – importante dizer que nosso homenageado não tem formação acadêmica e garante que aprendeu a ler e escrever em casa.

Seu primeiro grande empreendimento foi erguido em 1962, na Rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros, na zona oeste. O Edifício Marcelo levou o nome do primeiro dos seis filhos que teve com a esposa, Esther, e confirmou a vocação de Zarzur para o negócio, vendendo sem dificuldades as 75 unidades disponíveis. Também enveredou por outro ramo: abriu a concessionária Vilamar, da GM, que entre 1968 e 1980 foi uma das principais revendedoras da marca, com 18 a 20 carros vendidos por dia.  Zarzur fechou a loja quando vendeu o imóvel, na Vila Mariana. Isso ocorreu pouco depois da criação da Eztec, fruto de uma decisão estritamente familiar. “Meus filhos já estavam se formando engenheiros, achei importante ter a empresa para trabalhar com eles”, diz empresário.

A fundação da Eztec abriu novos horizontes na vida do empreendedor, que passou a mirar a construção de prédios em bairros menos centrais. “Eu comprava qualquer terreno até 10 quilômetros de distância da Praça da Sé”, conta. Com essa estratégia, levou empreendimentos para Freguesia do Ó, na zona norte, e Belenzinho, zona leste, além de várias outras localidades. Segundo Zarzur, eram bairros com terrenos a preços convidativos, que impactavam pouco no custo da construção e na comercialização dos apartamentos. Foi assim que a Eztec construiu em todas as regiões da capital e em municípios da Grande São Paulo, além de São José dos Campos, Santos e Campos do Jordão. “Só construo até onde minha vista alcança”, afirma, usando a frase conhecida por todos na Eztec.

Na administração, Zarzur sempre enxergou longe. Em 2007, a abertura de capital da Eztec revelou-se uma decisão acertada tanto na estratégia de capitalização da construtora como no timing. Logo após o lançamento das ações, a crise vinda dos Estados Unidos impactou fortemente as empresas brasileiras. Com o capital da venda das ações em mãos, pôde enfrentar o momento difícil sem maiores riscos. “Outros empreendedores precisavam lançar porque não tinham dinheiro. Só que ninguém conseguia vender”, lembra Zarzur.

Menos atingido pelos efeitos da crise, apostou já em 2008 na retomada do crescimento da empresa ao comprar um terreno na zona norte e lançar, em novembro daquele ano, o empreendimento Chácara de Santana, com 140 unidades de 212 m², vendidas em 0 dias, com um VGV de R$ 400 milhões. A jogada foi arriscada? Zarzur entende que não. “Trata-se de experiência de mercado e vivência”, diz ele, acrescentando que o público-alvo do local – classe média alta – não tinha opções de lançamento naquele momento.

Zarzur fala com entusiasmo das obras, mas demonstra especial atenção para o caso do EZ Towers, premiado condomínio comercial erguido há três anos na Chácara Santo Antônio, próximo à Avenida Chucri Zaidan. Na entrega da obra, disse que o empreendimento de duas torres com 31 pavimentos e área construída de 164 mil m², era um legado da construtora para a cidade. Outro edifício comercial que destaca é o EZ Mark, na Vila Mariana, com opção de escritórios duplex, numa área construída de 40,3 mil m².

Entre os residenciais recentes, o Le Premier Moema chama atenção não só pela localização e funcionalidade dos 38 apartamentos de 172 m² cada – dois por andar –, mas também pelo projeto de decoração que prioriza a integração e a continuidade entre os ambientes do edifício entregue em 2017.

Na região metropolitana, a Eztec tem os bairros planejados Cidade Maia, em Guarulhos, e Jardins do Brasil, em Osasco, ambos para classe média. Com 1.969 apartamentos em cinco condomínios, as unidades do Cidade Maia, com preço a partir de R$ 237 mil, têm área entre 38 e 154 m², para diferentes perfis. O de Osasco, localizado entre dois shoppings, tem seis condomínios – um deles ainda será lançado em setembro –, com 848 unidades comerciais e 1.706 apartamentos, de 67 a 170 m². Zarzur admite que o momento atual é grave, mas não vê outro caminho para superar as dificuldades que não seja arregaçar as mangas. “Tem que acordar cedo e trabalhar”, afirma, confiante em 2019 e esperando um 2018 melhor que 2017.

Hoje, os filhos se revezam na presidência da Eztec, e ele se mantém no comando como presidente do conselho de administração e participa do dia a dia da empresa. Está de segunda a sexta-feira no escritório do Ibirapuera, participa de reuniões e tem a palavra em todas as decisões importantes. E ainda visita canteiro de obras. “Gosto de estar perto das pessoas, de falar com elas. Digo que vou às obras não para fiscalizar, mas para conversar.”

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