Exploração começa sem medidas ambientais

BRASÍLIA

Marta Salomon, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

A exploração comercial do petróleo do pré-sal começou há pouco mais de um mês no Campo de Baleia Franca (ES) com a presença do presidente Lula e sem sistema para neutralizar a emissão de gases de efeito estufa, superiores à verificada na exploração do petróleo do pós-sal. Documentos da área ambiental mostram que há oposição de técnicos.

A licença de operação concedida pelo Ibama no fim de maio estabelece prazo até novembro para a Petrobrás apresentar projeto de neutralização de carbono para compensar a emissão de gases de efeito estufa. Até lá, serão mais de três meses de operação sem freio nas emissões.

No mesmo dia da licença, parecer da coordenação-geral de petróleo e gás do Ibama discordou da avaliação da estatal sobre a queima de gás. A Petrobrás definiu o impacto como "negativo, direto, imediato, local, reversível e temporário", limitado à alteração da qualidade do ar no entorno da plataforma. A coordenação discordou: "As emissões de gases de efeito estufa geram impacto global, não reversível, considerando que o CO² liberado permanecerá na atmosfera por período maior que 100 anos".

A Petrobrás informou que identifica "tecnologias disponíveis" para reinjeção de gás carbônico nos poços do pré-sal. A ministra Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, disse que não poderia impor uma tecnologia à estatal.

Em 2009, o então ministro Carlos Minc disse que só liberaria a exploração mediante uso de tecnologia de captura e armazenamento de carbono, o que acarreta em aumento no custo de exploração.

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