Exploração precisará de 9 plataformas

Previsão foi feita por consultoria com base na estimativa média de reservas em torno de 7,9 bilhões de barris de petróleo e gás

Nicola Pamplona / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

O relatório da consultoria Gaffney, Cline & Associates (GCA) que identificou reservas de até 15 milhões de barris em Libra aponta que a exploração do campo demandará pelo menos nove plataformas de produção com capacidade de 150 mil barris por dia. A projeção foi feita com base na estimativa média de reservas, em torno de 7,9 bilhões de barris de petróleo e gás.

O projeto de produção desenhado pela consultoria prevê a perfuração de 92 poços de produção com vazão de 25 mil barris por dia, além de número semelhante de poços de injeção de água, gás natural e gás carbônico, processo que ajuda a manter a pressão do reservatório, ajudando o petróleo a fluir pelos poços produtores.

O número de plataformas e equipamentos será maior à medida que as reservas se aproximem da projeção otimista feita pela GCA, que chega aos 15 bilhões de barris de petróleo e gás.

Segundo as premissas usadas pela GCA em sua estimativa média, o valor das reservas de Libra gira em torno de US$ 75,8 bilhões, ou US$ 9,62 por barril - a conta considera a receita do consórcio produtor durante toda a vida útil das reservas, descontando uma taxa de juros e os investimentos necessários para o desenvolvimento da produção.

É um valor superior ao cobrado pelo governo, em média, pelos 5 bilhões de barris vendidos à Petrobrás dentro do processo de capitalização da companhia: US$ 8,51 por barril. No caso de Libra, porém, o governo quer sua parcela em petróleo e não em dinheiro, segundo o novo modelo proposto para o pré-sal.

O elevado número de plataformas e equipamentos necessários à produção é visto pelo mercado como um dos desafios que serão enfrentados pela Petrobrás para a exploração do pré-sal. A própria estatal admite que recursos humanos e materiais estão entre os principais gargalos a serem enfrentados nos próximos anos.

Contando apenas com as concessões atuais, o plano de investimentos da companhia já prevê investimentos de US$ 224 bilhões entre 2010 e 2014. A direção da empresa já adiantou que o valor pode ser ampliado na revisão do ano que vem por conta da exploração das reservas da cessão onerosa, que vai custar US$ 10 bilhões no período.

Com a cessão onerosa e as descobertas recentes do pré-sal, como Tupi, as reservas da Petrobrás devem chegar perto dos 35 bilhões de barris de petróleo e gás natural já em 2015, calculou em entrevista recente o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. O volume representa mais do que o dobro das reservas provadas atuais, de 14 bilhões de barris.

O valor deve dar um salto este ano, com a apropriação de parte das reservas de Tupi, que deixa de ser área exploratória e passa a ser campo de produção de petróleo em dezembro, quando termina o prazo contratual para exploração da área. A estatal, porém, não adianta qual o volume de Tupi, que tem entre 5 e 8 bilhões de barris, será apropriado este ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.