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Explosão do déficit dos EUA é herança do 11 de setembro

Dois anos depois do 11 de setembro, é difícil avaliar quais os efeitos diretos dos atentados que ainda perduram sobre a economia global. O ataque terrorista aos Estados Unidos aprofundou uma tendência de desaceleração que já existia antes de setembro de 2001, lembram os analistas. Eles apontam como um dos desdobramentos mais nefastos dos atentados o crescimento explosivo do déficit fiscal norte-americano, que coloca em dúvida o destino da economia dos Estados Unidos, ainda a locomotiva do mundo.Segundo dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), o déficit do governo norte-americano será de 4,6% do PIB este ano. Juntamente com o déficit do balanço de pagamentos, o déficit fiscal exige um nível elevado de financiamento do governo dos EUA, o que tem funcionado como um fator de pressão sobre o dólar frente às principais moedas fortes.O estrategista-chefe para América Latina do Banco ING, Mauro Schneider, lembra que o déficit fiscal cresceu impulsionado pela queda nas atividades, o que reduziu a arrecadação, o corte de impostos implementado pelo governo Bush numa tentativa de reerguer a economia e o forte aumento nos gastos militares como decorrência do 11 de setembro. Schneider é da opinião que o pior para a economia mundial já passou, mas ressalta que ainda há muita discussão sobre a recuperação norte-americana.ConjunturaPara o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, os atentados de 11 de setembro coincidiram com dois eventos marcantes: o estouro da bolha do mercado acionário, ocorrido antes dos ataques, e os escândalos corporativos nos EUA, que vieram a público depois dos atentados. Combinados, estes eventos desencadearam dois efeitos perversos para a economia global. Em primeiro lugar, o fluxo de capitais, sobretudo para os países emergentes como o Brasil, sofreu uma forte retração, diz Lacerda. Em segundo lugar, os atentados colocaram na agenda internacional a "indústria" do combate ao terrorismo, que está provocando os vultosos gastos militares e o déficit fiscal dos Estados Unidos.Os atentados, segundo Lacerda, levaram a um questionamento sobre a hegemonia dos EUA, cuja fragilidade, diz, ficou evidente. Para o presidente da Sobeet, como resultado do enfraquecimento da hegemonia norte-americana, o mundo deverá caminhar para uma multipolaridade econômica e política.Em termos financeiros globais, ele espera que a consolidação do euro faça frente ao poder dominante do dólar. A multipolaridade, de acordo com Lacerda, também deverá abrir espaço para países emergentes, como o Brasil, que deve buscar um papel mais ativo no cenário global.

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