Exportação brasileira de carne suína atrai atenção dos EUA

Um documento preparado pelo governo americano revela que Washington está preocupado com o fato de o Brasil estar ganhando terreno nas exportações de carne suína. Segundo o documento, produzido pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o País tem a chance de se tornar uma ameaça para os produtores norte-americanos se conseguir superar os problemas fitossanitários que ainda estariam criando obstáculos para a produção nacional. Caso isso ocorra, o documento sugere a adoção de uma estratégia pelos Estados Unidos para evitar perder mercados para o Brasil. Segundo o estudo, o Brasil conseguiu aumentar suas exportações de carne suína em 345% entre 1997 e 2002,em grande parte graças ao aumento de produção em Santa Catarina, estado livre da febre aftosa. Por enquanto, 80% das exportações brasileiras vão para a Rússia, mas o temor da Casa Branca é de que, em breve, as vendas nacionais comecem a disputar os mercados europeus e do Japão.Para que o Brasil consiga ameaçar as exportações dos Estados Unidos, porém, o estudo aponta para a necessidade de que o País supere seus problemas fitossanitários. O documento acredita que o Brasil não conseguirá entrar nos mercados mais rentáveis enquanto não solucionar a questão da aftosa e que, por enquanto, apenas exportará para países onde o controle fitossanitário ainda não é rígido, como China, HongKong, Coréia, Rússia e Filipinas. Nesses mercados, segundo o estudo, o consumidor está procurando mais "preço que qualidade". Situação favorável para BrasilMas nem mesmo esses problemas enfrentados pelos exportadores brasileiros parecem deixar os americanos tranqüilos. O que assusta os formuladores da política da Casa Branca é que novos investimentos estão sendo previstos no Brasil no setor de carne suína, inclusive com capital e tecnologia estrangeiras. Segundo o Departamento de Agricultura, a volta da estabilidade econômica no País está atraindo a atenção de investidores estrangeiros para o setor do agronegócio, que já conta com a vantagem de apresentar custos baixos de produção.Uma das possibilidade é que esses novos investimentos ocorram no Centro-Oeste e que uma moderna infra-estrutura seja montada para garantir a produção de carne suína sem qualquer vestígio de doenças como a febre aftosa. Diante desse novo cenários, o documento aponta que produtores e autoridades dos Estados Unidos devam fazer uma acompanhamento da situação no Brasil para evitar serem surpreendidos no futuro pelo produto brasileiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.