Exportação cresceu sem ajuda do governo, diz Delfim

O ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse ontem que o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não "moveu uma palha" para aumentar as exportações brasileiras. Delfim fez a afirmação durante palestra a empresários, ao explicar os motivos que impedem a economia de crescer a taxas superiores a uma média de 4% ao ano.

FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h04

Segundo o ex-ministro, de 1992 a 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso, o total das exportações cresceu 4,2% e os preços, 1,2%. Em 2003, segundo o ex-ministro, cresceu para 8% e os preços aumentaram 12,2%. "Com isso, o Brasil saiu da encrenca externa, pagou sua dívida e estamos mais tranquilos", disse Delfim. "Mas não movemos uma palha. Caiu do céu."

O ex-ministro da Fazenda lembrou que China e Coreia, que em 1984 exportavam US$ 22 bilhões, aumentaram suas exportações em dez e quatro vezes, respectivamente. "Nós nunca fizemos um esforço", lamentou. "O nível do mar aumentou. O problema é que o Lula pensa que foi ele que aumentou o nível do mar", ironizou Delfim, arrancando gargalhadas e aplausos dos empresários.

O ex-ministro também disse esperar para este ano um crescimento econômico de 2% a 2,5%. A estimativa considera a evolução já dada de 0,2% no primeiro trimestre, projeções de 0,5% para o segundo trimestre e expansão de 1,6% e 1,25% no terceiro e quarto trimestres de 2012.

Delfim projeta um déficit de US$ 55 bilhões na conta corrente do balanço de pagamentos, superávit primário de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), déficit nominal de 2% e desemprego em 5%. "Desde 1984, o Brasil nunca cresceu mais que 4% por um período de cinco anos seguidos."

Carga. Segundo o ex-ministro, na raiz do baixo crescimento da economia brasileira estão o alto preço da energia elétrica e o elevado déficit em conta corrente, entre outros problemas que impedem o aumento da taxa de investimento. Delfim lembrou que, quando a economia crescia 7,5% ao ano, a carga tributária era de 24% do PIB e o governo devolvia à sociedade, na forma de investimentos, cerca de 5% do PIB. "Hoje, temos uma carga tributária de 36,5% do PIB e o governo devolve em investimentos apenas algo entre 1% e 1,5% do PIB", disse o ex-ministro.

"Precisamos melhorar o investimento por meio de Parceria Público-Privada (PPP). Temos de perder o medo disso", disse Delfim, acrescentando que faltam, por exemplo, investimentos em comunicação.

Ainda de acordo com Delfim, para que a economia volte a crescer mais, será preciso reformar as leis trabalhistas. "O Brasil tem uma Justiça trabalhista separada da Justiça como um todo. A Justiça trabalhista no Brasil não obedece à Justiça." O ex-ministro defendeu o direito de o trabalhador discutir seu salário diretamente com o empregador. E, em outro cenário, o empregado poderia negociar se quer tirar 15 ou 20 dias de férias.

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