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Exportação de alimentos bate recorde no 1º trimestre do ano

As exportações de alimentos industrializados bateram recorde histórico no primeiro trimestre de 2003, quando foram embarcadas 6,5 milhões de toneladas de produtos. A receita gerada, de US$ 2,5 bilhões, representa alta de 30% ante o mesmo período de 2002. Carnes, óleos e gorduras, açúcar, chocolates, balas e derivados de cacau, sucos e conservas foram os produtos que mais puxaram as vendas.O aumento nos pedidos em carteira para o exterior funcionou como alavanca para a indústria, que fechou o período com crescimento real na receita global de 4,61% e aumento real de 3,45% nas vendas em março ante o mês imediatamente anterior. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia) com exclusividade à Agência Estado."Desde o ano de 2000 a receita com as exportações vem num crescimento vertiginoso", comenta Amílcar Lacerda de Almeida, gerente do Departamento de Economia e Estatística da Abia. Ele cita, como exemplo, que no ano passado os embarques responderam por 24% dos R$ 130 bilhões líquidos obtidos e, em 2003, deverá alcançar cerca de 28% dos R$ 150 bilhões líquidos projetados pelo setor.A receita, convertida em moeda norte-americana, está projetada em US$ 13 bilhões neste ano, ante US$ 10,8 bilhões registrados em 2002 e US$ 10,1 bilhões no anterior. Entre os produtos exportados, o maior crescimento em volume e faturamento foi verificado, de acordo com a pesquisa da Abia, na área de óleos e gorduras: incremento de 104% no volume e 170% na receita; seguido por carnes, com um embarque 45% superior em volume e 22% em faturamento.Apesar de o volume de açúcar ter crescido 24%, a estabilização nos preços internacionais permitiu um crescimento de apenas 4,6% na receita. As balas, chocolates e derivados de cacau, ao contrário, aumentaram o volume vendido ao mercado externo em 1% e a receita engordou 102%. Sucos e conservas registraram receita 32% maior e volume em expansão de 30%.Chocolates, balas e sucosChocolates, balas e sucos tendem a crescer ainda mais com a possível conquista do mercado russo para exportação desses produtos. Uma comitiva de 34 empresas, chefiada pelo ministro do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, chega à Rússia dia 18, numa primeira incursão do governo Luiz Inácio Lula da Silva em busca de novos mercados.A Rússia, que até agora importava praticamente apenas carnes, deverá incluir na sua pauta, na área de alimentos, esses itens. O segundo passo no contato com as "baleias" - designação para mercados de grande porte, que incluem também Índia e China - deverá ocorrer no segundo semestre. "Não fossem as vendas externas, os resultados do mês e do trimestre ficariam negativos", completa. Em fevereiro, período de baixa no volume de exportações, as vendas fecharam em queda de 7% e o desempenho de fevereiro ficou 10% abaixo do mesmo mês do ano passado. A pesquisa da Abia aponta ainda que a receita referente a março registrou alta de 1,15% sobre idêntico mês de 2002 e, nos últimos 12 meses do ano, fechados em março último, o faturamento atingiu crescimento de 2,55%. A produção acompanhou o crescimento do faturamento e registrou patamares semelhantes de aumento nos meses em análise. O terceiro mês deste ano ficou positivo 2,62% sobre fevereiro, mas caiu 1% em relação a março do ano passado. A explicação para a retração, segundo o economista, tem dois motivos: Páscoa antecipada, no ano passado, e processamento mais cedo da safra agrícola. Porém, no trimestre, houve aumento de 3,90% na comparação entre períodos idênticos e incremento de 4,19% nos doze meses encerrados em março.Mercado internoApesar de fatores inibidores, como alta da inflação, elevação da taxa de desemprego, escassez de crédito e juros altos, Lacerda de Almeida acredita que as vendas no mercado interno tenham começado a reagir a partir de abril. "Aumento do salário mínimo, concentração de dissídios e o próprio crescimento das exportações já se refletirão num ligeiro movimento positivo nos negócios internos", prevê. Mas segundo consultores de mercado, esse movimento de compra ainda estará concentrado em produtos da cesta básica e de menor valor agregado.A distância entre o poder aquisitivo e a compra de alimentos pode ser medida pelos resultados das empresas. A Perdigão, líder no setor de carnes industrializadas, fechou o quadrimestre com alta de 8% nas vendas de produtos de menor valor agregado, sendo que, ao longo de 2002, essa categoria cresceu 12%. Já os pratos prontos, de preços mais elevados, que cresciam entre 25% e 30% nos últimos quatro anos, reduziu o ritmo de expansão das vendas, ao fechar os primeiros quatro meses de 2003 em alta de 15%.Para a consultora de alimentos da Tendência Consultoria Integradas, Amaryllis Romano, o mercado de alimentos deverá registrar taxas expressivas a partir do segundo semestre.

Agencia Estado,

14 de maio de 2003 | 13h21

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