Exportação de carne bovina do Brasil crescerá 32% até 2017--FNP

Maior exportador de carne bovina domundo, o Brasil deverá ampliar as suas vendas externas em 32por cento até 2017, para 2,9 milhões de toneladas (equivalentecarcaça), estimou nesta terça-feira um estudo da AgraFNP,divisão brasileira do Agra Informa, líder em consultoria globalna área de agricultura e pecuária. Apesar de as previsões da AgraFNP não indicarem um cenáriode tranquilidade para pecuaristas e frigoríficos, o Brasil devese firmar na liderança mundial do setor em meio a dificuldadesainda maiores enfrentadas pelos seus principais concorrentes,como disponibilidade limitada para o crescimento da área paraagropecuária e custos mais altos. Austrália, Estados Unidos e Argentina --com problemas deseca, alta de custos com milho para criação intensiva e deoferta, respectivamente-- já estão próximos do limite de suacapacidade produtiva, segundo a consultoria. "As previsões (de exportação) para o Brasil estão sujeitasa condições de mercado. O número pode ser superior se tiverproblema de oferta no mercado internacional, e se o Brasiltiver acesso a novos mercados", disse o diretor técnico daAgraFNP, José Vicente Ferraz, a jornalistas. A consultoria estima um crescimento na demanda mundial decarne de 250 mil a 300 mil toneladas por ano, por compras depaíses asiáticos e até pelos Estados Unidos. Mesmo ampliando o seu rebanho, o Brasil não conseguiráabsorver todo esse aumento de demanda, o que indica que ospreços da arroba do boi no país devem continuar em alta,subindo cerca de 20 por cento em cinco a dez anos, em relação apatamares atuais historicamente elevados. Uma demanda aquecida dessa ordem poderia facilitar ascoisas para o Brasil, não fossem os custos mais elevados deprodução e os problemas gerados pelo intenso abate de matrizesem anos recentes, que agora diminuiu a oferta de bezerros elimita o crescimento da produção de carne. Com preços mais altos da carne por consequência, deve haveruma redução no consumo per capita no mundo, ou mesmo situaçõescuriosas como um direcionamento de produtos antes exportadospara o mercado interno brasileiro, uma vez que o realfortalecido ante o dólar se reflete muitas vezes em um mercadomais remunerador no país do que no exterior --isso é atéapontado como um dos fatores que têm tirado o brilho dasexportações brasileiras neste ano. [ID:nN17363820] MENOS PASTAGENS, MAIS BOIS Além disso, mesmo no Brasil, tradicionalmente um criadorextensivo de bovinos, as áreas de pastagens devem ser reduzidasem 17 milhões de hectares até 2017, ante atuais 190 milhões dehectares, com outras atividades rurais ganhando terreno, emmeio à necessidade global de se elevar a produção agrícola. "As nossas pastagens devem encolher, mesmo com as novasáreas. E para não haver queda (na produção), vamos ter queelevar a produtividade", afirmou. Ele explicou que o crescimento das áreas de criação noNorte e Nordeste, que deverão avançar em áreas já desmatadas,não serão suficientes para compensar a diminuição das pastagensno Sul, Sudeste e Centro-Oeste, regiões cuja produção de grãosdeve crescer. "A área de expansão está sujeita a concorrência cada vezmaior com outros cultivos, aí prevalece o que gera mais lucros.Assim, a tendência é de que essas novas áreas sejamconquistadas pela agricultura", acrescentou. Outro fator que dificulta a incorporação de novas áreas àspastagens nacionais é a pressão de ambientalistas, que tendem alimitar novos desflorestamentos. Apesar da redução nas pastagens, o rebanho brasileirodeverá crescer de 169,7 milhões de cabeças em 2008 para 183milhões em 2017, de acordo com informação do Anualpec 2008, umlivro com dados sobre a pecuária lançado pela consultoria. De acordo com ele, o ganho na produtividade do Brasil nospróximos dez anos se dará com melhorias na nutrição dosanimais, no manejo, com um crescimento nos confinamentos --quedeverão mais do que dobrar para 6 milhões de animais em 2017--,além de melhorias genéticas do rebanho. Os frigoríficos, por outro lado, disse Ferraz, tambémdeverão enfrentar dificuldades com o custo maior da arroba.Muitos já trabalham com elevada capacidade ociosa e com reduçãoem suas margens. "Esse cenário não se reverte no curto prazo...Até lá, as empresas vão ter que mostrar musculatura e acreditoque as menores vão quebrar."

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