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Projeção indica que exportação de carne bovina pode cair até 12% em 2015

Consultoria Agroconsult estima que o volume exportado de carne bovina pelo Brasil neste ano caia de 11% a 12%; crescimento só deve acontecer em 2016

Renato Oselame, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2015 | 16h57

SÃO PAULO - A Agroconsult estima que o volume exportado de carne bovina pelo Brasil neste ano caia 11% a 12%, em um indicativo de que a melhora nos embarques esperada para os próximos meses será insuficiente para compensar a queda registrada entre janeiro e agosto. Em entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, após participar da Conferência Internacional de Confinadores (Interconf), em Goiânia, o coordenador de pecuária da consultoria, Mauricio Nogueira, disse que o crescimento só deve acontecer mesmo em 2016. 

Se a projeção se confirmar, a exportação de todos os produtos bovinos este ano deve ficar entre 1,377 milhão de toneladas e 1,393 milhão de toneladas, ante 1,565 milhão de toneladas em 2014, conforme dados compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Até agosto, a queda acumulada é de 13,9% em volume.

A Agroconsult não projeta números para 2016, mas espera recuperação a partir da abertura de novos mercados. "Apesar da desaceleração econômica, a China está importando bem. As vendas aos Estados Unidos também vão aumentar", diz Nogueira. O mercado chinês foi oficialmente reaberto em maio, com embarques iniciados em junho. O Brasil já exporta industrializados aos norte-americanos, mas aguarda procedimentos sanitários para começar a vender produtos in natura. Também se espera que a Arábia Saudita volte às compras após embargo imposto pelo caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), registrado no Brasil em 2012.

Nogueira também cita esforços da Abiec para tentar aumentar as vendas à Rússia, país que cortou em mais de 42% sua importação de carne bovina do Brasil em agosto. A entidade participa da WorldFood Moscow até o dia 17 de setembro, em comitiva liderada pelo vice-presidente Michel Temer, e espera-se que os representantes tenham êxito na abordagem junto a parceiros do país para que aumentem suas compras. "São negócios que vão se concretizar nos próximos meses, mas a maior parte disso virá só em 2016", diz Nogueira, referindo-se tanto ao aumento dos embarques aos Estados Unidos e à China quanto à melhora na demanda russa.

Rebanho e produção. A Agroconsult afirma que parte dos efeitos da retenção de matrizes será vista ainda este ano. A consultoria espera que o estoque de animais aumente em 2015 e que o rebanho cresça ainda mais em 2016. "Além disso, estimamos uma queda na produção de carne bovina para este ano, mas crescimento a partir do ano que vem", diz Nogueira. O coordenador espera que os abates voltem a crescer em 2016, com o ritmo de queda se desacelerando já no segundo semestre deste ano. Nesta terça-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o abate de bovinos caiu 10,7% no segundo trimestre de 2015 ante o mesmo período do ano anterior. Em relação ao primeiro trimestre, houve recuo de 1,4%. 

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