Exportação de carne não alavancou agroindústria do país, diz IBGE

A indústria brasileira ligada à agropecuária cresceu apenas 0,3% no primeiro semestre do ano em comparação ao mesmo período de 2004, apesar do forte aumento das exportações de carne, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta quarta-feira.As crescentes vendas da carne bovina, de porco e de frango ao exterior impulsionaram o crescimento de 2,5% da indústria ligada à pecuária, e compensaram a retração de 0,7% nas indústrias relacionadas à agricultura, diz o estudo do IBGE. O ritmo de crescimento da agroindústria contrastou com o aumento de 5% na média de produção da indústria brasileira no geral.No ano passado, o crescimento da agroindústria - de 5,3%, em comparação a 2003 - já havia sido inferior ao da indústria em geral (de 8,3%). Segundo o IBGE, o resultado inferior obtido pela agroindústria no primeiro semestre foi conseqüência de "uma conjuntura desfavorável, principalmente para os setores vinculados à agricultura".Entre os fatores que prejudicaram os agricultores na primeira metade do ano estão "redução dos preços internacionais de algumas commodities agrícolas, aumento dos custos de produção, crédito mais seletivo e mais caro, e câmbio valorizado", que impediram o maior crescimento das exportações. O Governo espera para este ano um desempenho ruim tanto na agroindústria como na agricultura, inclusive porque a produção de grãos em 2005, calculada em 113,7 milhões de toneladas, será 4,7% inferior à do ano passado."Por outro lado, os setores associados à pecuária continuam se beneficiando da boa performance das exportações de carne bovina, suína e frango; e da conquista de novos mercados, em função da boa qualidade do produto brasileiro", afirma o estudo do IBGE. Este bom desempenho também é favorecido pelas crises sanitárias em outros países, como o mal da "vaca louca" e a gripe aviária, que favorecem ainda mais a apreciação da qualidade do produto brasileiro.Algumas beneficiadasDe acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, apesar do desempenho ruim no semestre, algumas indústrias ligadas à agricultura foram beneficiadas pelo crescimento das exportações de produtos como açúcar (59,5%), celulose (14,1%), fumo (12,7%), álcool (13,6%) e madeira serrada (2,9%).No entanto, no semestre houve uma redução das vendas ao exterior dos derivados de soja, o grão com maior área de cultivo do país e responsável pelas principais exportações agrícolas. As exportações do óleo de soja caíram 2,9% e as do farelo do grão diminuíram 1,5%. Alguns analistas prevêem que, neste ano, a carne superará a soja como principal produto das exportações agropecuárias do país.

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