Exportação de carne suína atinge recorde e cresce 109%

As indústrias de carne suína fecharam 2001 com exportações recordes de 264.944 toneladas e receita cambial de US$ 358,585 milhões. Os números foram apresentados hoje pela Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs).Graças principalmente à abertura do mercado russo, em meados de 2000, houve crescimento de 107% nos volumes embarcados e de 109% em receita no ano passado em relação a 2000. Segunda maior importadora de carne suína, depois do Japão, a Rússia passou a comprar do Brasil de forma sistemática em julho. Poucos meses depois, as indústrias brasileiras já haviam sextuplicado essas vendas, fechando 2001 com embarques de 151.856 toneladas para o país, garantindo receita de US$ 205,9 milhões.O Brasil passou de 12º exportador mundial em 2000 para a quarta posição, atrás de Canadá, Estados Unidos e China. O preço médio da carne suína brasileira no mercado internacional teve um ligeiro aumento de 0,72%, passando a US$ 1.353/tonelada FOB em 2001. Isso ocorreu apesar da grande participação das compras de meias-carcaças pela Rússia - produto de menor valor que os cortes e que não registrava vendas até 2000. Em 2001, os cortes responderam por 64% dos volumes exportados e as meias-carcaças, pelos restantes 36%.Segundo a Abipecs, a produção de carne suína sob inspeção federal foi de 2,1 bilhões de toneladas em 2001. Desse total, 12,6% destinaram-se ao mercado externo, restando 87,4% de oferta interna, ou 1,835 bi/t. Em 2002, a produção nacional de carne suína sob inspeção federal deve chegar a 2,2 bilhões de toneladas.A Abipecs tem como meta para este ano "alargar a base de mercados compradores" da carne suína brasileira, segundo o diretor-executivo Cláudio Martins. Em 2001 apenas quatro países foram responsáveis por 93% das exportações de suínos. Os principais importadores foram a Rússia (destino de 58% das exportações brasileiras), Hong Kong (18%), Argentina (15%) e o Uruguai (3%). Além da União Européia e do Japão, outros mercados citados pelos dirigentes foram o Chile, a África do Sul e Singapura.No caso do Chile, o presidente do Conselho Diretor da Abipecs, Alfredo Felipe da Luz Sobrinho, disse que as negociações estão próximas de um bom termo. Ele não especificou datas para a abertura daquele mercado. Sobre os resultados de negociações recentes com o México, os dirigentes deixaram claro que não deve haver acordo com nenhum país da América do Norte fora da Alca.O Brasil deve se unir à Alca, desde que seja uma verdadeira integração, que permita ao País desenvolver sua competência intrínseca, que são os produtos agropecuários", disse Luz Sobrinho.As exportações para a Argentina devem ser prejudicadas em 2002 pela crise econômica e pela desvalorização do peso. No entanto, as indústrias processadoras devem voltar a comprar carne suína brasileira no segundo semestre, quando a situação do consumo deve estar normalizada. "A Argentina precisa importar 40% a 50% da carne suína que consome", informa Luz Sobrinho.A mudança de governo e a desvalorização da moeda não vão significar a extinção do processo que investiga a prática de "dumping" nas vendas da carne suína brasileira, avalia o dirigente. "Os coordenadores do processo são os mesmos empresários que levantaram a reclamação contra as indústrias brasileiras" , disse. Caso se confirme a decisão desfavorável, o setor planeja contestar a aplicação de sobretaxas na Organização Mundial do Comércio, queimando a etapa de contestação no tribunal arbitral do Mercosul.A provável decisão do governo argentino pela aplicação de sobretaxa "antidumping" não deve interromper o fluxo das exportações brasileiras para lá. "Hoje, vendemos 70% a 80% de toda a carne suína que a Argentina importa. Esse percentual deve recuar para pouco mais de 60%", afirmou Cláudio Martins. Concorrem para a manutenção das vendas para a Argentina a situação cambial favorável do Brasil e as condições logísticas.Como Santa Catarina e Rio Grande do Sul fazem divisa com o país, é possível exportar carne não congelada para lá, o que torna menos custoso o processo produtivo de derivados de suínos, disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.