Exportação de frutas recua 2,43% em 2005

A receita com as exportações de frutas brasileiras no ano passado cresceu 19,3% para US$ 440 milhões, contra os US$ 369 milhões obtidos no ano anterior, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior e do DataFruta, o banco de dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf). O volume exportado teve um pequeno recuo de 2,43%. No ano passado, foram exportadas 827,7 mil toneladas de frutas, contra 848,3 toneladas em 2004.O grande destaque da fruticultura em 2005 foi a uva, que apresentou crescimento de 103,35% em receita, atingindo US$ 107 milhões. Em volume, o aumento foi de 77,73% para 51,2 mil toneladas. Segundo Maurício de Sá Ferraz, gerente de exportação do Ibraf, o bom desempenho se deve às vendas de novas variedades de uvas sem semente, especialmente do Vale do São Francisco.Ferraz explicou que em 2003 e 2004 o clima afetou as lavouras do Vale do São Francisco e, no processo de substituição, foram plantadas as novas variedades sem semente. "É grande a demanda por este tipo de uva, especialmente no mercado europeu e além disso, é uma variedade que possui maior valor agregado", diz ele.O mercado europeu, grande consumidor das frutas produzidas no Brasil, também foi o responsável pelo aumento das vendas de melão e manga, cujo crescimento foi, respectivamente, de 44,63% para US$ 91 milhões e de 12,99% para US$ 72 milhões no ano passado.Em termos de volume, as exportações de banana são as mais expressivas. No ano passado, somaram 212,2 mil toneladas e cresceram 12,1% sobre o desempenho registrado no ano anterior. "A banana é a recordista dos últimos anos, mas a fruta tem baixo valor agregado", afirma Ferraz. Os principais destinos são os países do Mercosul e da Europa.Ele destaca que este volume deve crescer mais ainda neste ano, quando se decide o valor final da tarifa sobre a importação de banana. O sistema de cotas da União Européia (UE), utilizado anteriormente, foi considerado ilegal pela Organização Mundial do Comércio (OMC), por isso, foi instituída uma taxa sobre as importações a ser cobrada a partir deste ano. No final de novembro, eles decidiram que o valor da tarifa seria de 176 euros por tonelada, valor rejeitado pelos exportadores latino-americanos. Para eles, qualquer tarifa acima de 75 euros/t não proporcionaria o acesso aos mercados europeus.Alta do real é empecilho para vendasO real forte foi um empecilho para o fortalecimento das vendas. Ferraz observa que os negócios referentes às exportações em 2005 foram fechados em 2003/2004, por isso foi preciso cumprir estes contratos. Apesar dos ganhos menores, afirma, as vendas se mantiveram porque é interessante para o fruticultor manter os seus mercados.O desafio do setor para este ano, segundo Ferraz, é ampliar o mercado interno, onde o consumo é considerado muito baixo. Segundo ele, cada brasileiro consome em média 47 kg de fruta por ano, enquanto a média entre os europeus é superior a 100 kg ao ano. "É preciso trabalhar o mercado interno, como modo de regular a oferta".O gerente da Ibraf acredita que 2006 será um ano difícil para os exportadores por conta do real valorizado e o elevado custo Brasil. Segundo ele, com a menor remuneração em dólar, o fruticultor menos capitalizado diminui os investimentos no trato da cultura e, conseqüentemente, acaba reduzindo sua participação no mercado internacional.Um dos problemas que o setor deve enfrentar neste ano é o de certificação dos produtos exportados para a União Européia (UE). Os novos critérios para a identificação dos níveis de agrotóxicos devem dificultar a vida do produtor, diz Ferraz. "Os produtos químicos utilizados devem ter registro tanto na origem (mercado brasileiro) como no destino (Europa). Mas alguns produtos usados no País já não são mais utilizados no bloco", alerta o gerente. A medida deve pesar sobre as culturas menores, nas quais há pouco interesse em investir no processo de registro dos produtos químicos utilizados no bloco europeu.

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