Roosevelt Cassio/Reuters
Roosevelt Cassio/Reuters

Exportação de manufaturados do Brasil pode ser afetada

90% das vendas externas de automóveis do País no primeiro quadrimestre deste ano foram para o país vizinho

Márcia de Chiara, O Estado de S.Paulo

05 Maio 2018 | 04h00

A turbulência argentina pode reduzir as exportações de manufaturados, especialmente de carros, do Brasil para o país vizinho. A Argentina é o principal comprador de manufaturados brasileiros e o terceiro maior parceiro comercial do Brasil em exportações, atrás só da China e dos EUA. No primeiro quadrimestre, o Brasil exportou US$ 6,060 bilhões, dos quais US$ 1,868 bilhão, ou 31%, foram carros.

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“Certamente a crise vai ter impacto nas exportações brasileiras, porque a desvalorização do peso argentino deve aumentar o custo das importações”, afirma o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto Castro.

O economista Fabio Silveira, sócio da MacroSector, concorda. Para ele o contágio da crise argentina deve se dar via balança comercial. “O efeito da crise no Brasil é o enfraquecimento da recuperação já moderada da indústria brasileira.” Mas ambos dizem que é cedo para calcular o estrago.

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Além da desvalorização do peso, a alta dos juros na Argentina, que subiram para 40% ao ano, deve reduzir o crescimento do país, afetado pela quebra da safra de soja. Com 12 milhões de toneladas a menos de soja, ou US$ 5 bilhões, Castro diz que o crescimento do PIB foi cortado em meio ponto porcentual. 

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A quebra da safra beneficia a rentabilidade do produtor brasileiro, que consegue um preço maior pela soja. Mas, como a produção nacional deste ano está dada, o Brasil não deve ter grandes avanços nas exportações da commodity que compensem as perdas nas vendas externas de manufaturados, diz Castro.

Carros. Dos US$ 2,068 bilhões de carros exportados pelo Brasil até abril, 90% foram para Argentina. Por enquanto, a indústria brasileira está cautelosa. Roberto Cortes, presidente da MAN, que produz caminhão e ônibus, diz que, se a crise persistir, certamente haverá redução nas vendas para a Argentina, que hoje fica com 35% das exportações da empresa. Mas ele acha que a crise é momentânea. “Por isso não vamos alterar, por enquanto, os planos de produção voltada ao país.” Também está mantido o estudo de uma fábrica local do grupo, fabricante de veículos da Volkswagen. / COLABOROU CLEIDE SILVA

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