Exportação de petróleo puxa resultado da balança, aponta Iedi

O recorde das exportações em novembro, contabilizado até a terceira semana, é atípico. Longe de significar aumento de competitividade dos produtos brasileiros, a alta de 40,5% na média diária do período, sobre a mesma base de 2004, é atribuída principalmente ao cenário externo. Como novembro é um mês tradicionalmente de desaceleração das vendas externas, os números surpreenderiam. No entanto, ressalta o diretor executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Sergio Gomes de Almeida, o aumento está concentrado principalmente em petróleo e derivados, cujos preços internacionais estão altos. Em menor grau, também é forte a participação do complexo ferro e aço na pauta exportadora, que mantém o desempenho positivo puxado pelo consumo chinês, bem como da soja, com preços também melhores. "Exceto por esses produtos, o crescimento das vendas de manufaturados está estável, sofrendo o impacto do câmbio", disse o executivo. Dados compilados pelo Iedi até a segunda semana de novembro mostram que as vendas de petróleo e derivados cresceram 138% sobre as médias diárias do mesmo período de outubro. "Não fosse a exportação em tão grande medida deste produto, as exportações teriam evoluído a uma taxa bem inferior", ressaltou Gomes de Almeida. O empresário Humberto Barbato, diretor do Departamento de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), também não vê motivos para comemorar mais um recorde da balança comercial, registrado nas três primeiras semanas de novembro sobre o mesmo período de 2004. Segundo ele, a grande alavanca dos números positivos foi o setor de básicos, cujas vendas cresceram 67%, puxadas por petróleo em bruto e, em menor grau, minério de ferro. "Por esses dois produtos, vemos que só tendem a subir as exportações de produtos que não sofrem o efeito do câmbio, o que não é o caso da maioria dos bens industrializados", disse. Categorias Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o desempenho recorde da balança nas três primeiras semanas de novembro foi verificado nas três categorias. Os básicos se destacaram com um aumento de 67% sobre o mesmo período de novembro de 2004, principalmente por conta de petróleo em bruto, soja em grão, uvas frescas, mármores e granitos, minério de ferro, algodão em bruto, carne suína e de frango, farelo de soja e fumo em folhas. Já os manufaturados cresceram 32,8% puxados por gasolina, óleos combustíveis, fio-máquina de ferro/aço, tratores, motores e geradores, máquinas e aparelhos para terraplenagem, veículos de carga, aparelhos transmissores/receptores, laminados planos, automóveis de passageiros e aviões para o mercado internacional. No caso dos semimanufaturados, o aumento foi de 15,7% em razão de óleo de soja em bruto, alumínio em bruto, açúcar em bruto, celulose e couros e peles.

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