Exportação diversificada reduz impacto da crise, diz Meirelles

Segundo presidente do Banco Central, menor participação dos EUA na pauta de exportações ajuda o Brasil

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

15 de julho de 2008 | 12h02

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou nesta terça-feira, 15, que as exportações brasileiras passaram por um processo de diversificação nos últimos anos, o que deve reduzir um impacto negativo da crise econômica nos Estados Unidos.  Veja também:Entenda os efeitos da crise nos Estados Unidos Cronologia da crise financeira As grandes crises econômicas  Em audiência pública na comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Meirelles apresentou dados do Ministério do Desenvolvimento, que mostram que os EUA eram, em 2003, destino de 24,3% das exportações brasileiras. Em julho de 2008, essa participação caiu quase dez pontos porcentuais para 14,6%. "Isso é positivo, em um momento como esse, porque a crise maior ocorre nos EUA", afirmou.  Essa menor participação dos EUA na pauta de exportações, disse Meirelles, ocorreu em favor da maior participação de novos mercados, como os países da América Latina e do Oriente Médio. "O Brasil está diversificando suas exportações. Isso é positivo para segurança do País", disse.  O presidente do BC também observou que, de 2002 a 2007 as exportações brasileiras saltaram 173%. Nesse mesmo período as exportações mundiais aumentaram na média 50%. Meirelles ressaltou aos senadores que, a despeito da crise internacional iniciada no ano passado, o Brasil continua recebendo forte fluxo de dólares na forma de Investimento Estrangeiro Direto (IED). Segundo ele, nos nove meses encerrados em maio de 2008, o ingresso de IED acumula US$ 38 bilhões, marca recorde para o período de 12 meses. "Isso é um sinal de confiança no dinamismo da economia brasileira", afirmou.  Segundo ele, os empresários estrangeiros investem no Brasil para aumentar a capacidade produtiva, de forma a atender a crescente demanda interna e reforçar as condições para exportar.  A confiança também foi conquistada, segundo ele, com o aumento das reservas internacionais, que superaram recentemente os US$ 200 bilhões. Ele admitiu que há um custo de se manter as reservas nesse patamar, mas que os benefícios desse montante são maiores. "Isso se reflete na melhora da avaliação de risco e no menor custo de captação para o País e para as empresas", afirmou.  Consumo Meirelles afirmou ainda que, apesar da acomodação no primeiro trimestre do ano, o consumo das famílias cresce a taxas "robustas" no Brasil. Ele destacou que mesmo com a desaceleração no ritmo de crescimento desse indicador a taxa dos três primeiros meses do ano ainda foi superior a verificada no terceiro trimestre de 2007, quando ficou em 6%. No primeiro trimestre de 2008 o consumo das famílias cresceu 6,6% e no último trimestre de 2007 atingiu o pico de 8,6%. Segundo o presidente do BC, a tendência de crescimento do consumo significa uma melhora de vida da população, que é o objetivo da política econômica. "Evidentemente, é importante que a economia esteja balanceada em sua equação de demanda e oferta", disse, destacando que as taxas de crescimento de Formação Bruta de Capital Fixo mostram uma trajetória sólida e consistente dos investimentos. "Isto é um dividendo da estabilidade e sinaliza que o Brasil tem uma trajetória de crescimento sustentável", afirmou, destacando que essa trajetória é importante para que os investidores tenham segurança da continuidade do crescimento do País.  Meirelles também destacou que as vendas no varejo crescem a 54 meses seguidos no Brasil e as vendas no varejo no conceito ampliado (que inclui automóveis e materiais para construção)crescem a 53 meses. O presidente do BC também pontuou que está havendo forte geração de emprego no País e ressaltou que a alta nos preços internacionais está contribuindo para a elevação da safra agrícola no Brasil.

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