Exportação do País subiria 8% se EUA aceitassem plano

Se EUA tivessem optado por implementar condenação contra subsídios ilegais, vendas americanas cairiam 10%

Jamil Chade, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

As exportações brasileiras de algodão subiriam 8% e as vendas americanas seriam reduzidas em 10% se a Casa Branca tivesse optado por implementar a condenação da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios ilegais. Os dados são do Centro Internacional para o Comércio e Desenvolvimento Sustentável, em levantamento feito em colaboração com a Universidade Cornell.

Apesar da constatação, o estudo mostra que o impacto para os brasileiros seria maior com a conclusão da Rodada Doha que diante da vitória na disputa que já se arrasta há sete anos e custou milhões de dólares em pagamentos a advogados.

O Brasil abriu uma disputa contra os subsídios americanos em 2003 e, em 2005, a OMC julgou ilegal o apoio da Casa Branca a seus produtores. Para a entidade, os subsídios prejudicavam os exportadores brasileiros e distorciam os preços internacionais. Mas os EUA nunca implementaram a decisão e o Brasil ameaçou com retaliação.

Recentemente, Washington aceitou negociar uma solução pacífica, mesmo que o Brasil entenda que a retirada eventual dos subsídios ocorra apenas em 2012, na reforma da lei agrícola americana. Até o dia 21, os dois países precisam fechar um entendimento, caso contrário o Brasil voltaria a ameaçar com a retaliação.

Especialistas que trabalham em Genebra indicam que dificilmente o Congresso dos EUA aceitará fazer a reforma nos termos que a OMC manda. Mas o Brasil ficaria satisfeito se parte dos subsídios já fosse retirada.

Se toda a condenação fosse implementada, sete programas de apoio teriam de ser revistos. Na melhor das hipóteses, isso geraria uma alta nos preços internacionais de 2,3% a 3,5% em média.

A tese dos analistas é que, com os subsídios, os americanos acabam deprimindo os preços internacionais. Já a produção americana sofreria uma queda de 4,3% a 7% se a decisão da OMC fosse implementada.

Em todo o mundo. No Brasil, a produção em volume aumentaria em apenas 1%, mas em valores chegaria a 4,5%. O impacto da disputa aberta pelo Brasil seria sentida em todo o mundo.

China e Índia teriam uma alta de produção do algodão se os americanos cumprissem a determinação da OMC.

Sem o apoio considerado ilegal, o mapa do comércio mundial de algodão teria um impacto. As vendas americanas seriam reduzidas até 10% em média. Já o Brasil expandiria suas exportações entre 6% e 8%. Índia, Usbequistão, países africanos, Austrália e Europa teriam uma alta nas vendas de 1% a 2,5%.

Mesmo se a implementação da decisão tivesse um impacto no setor, os especialistas alertam que só uma negociação na Rodada Doha reduziria de fato as distorções.

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