Exportação industrial já começa a reagir

O avanço parece modesto, mas o fato de as vendas externas de produtos industrializados terem deixado de cair pode representar uma virada

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2016 | 03h02

Recentes dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, nos últimos 12 meses terminados em maio, o Coeficiente de Exportação – indicador que revela a participação das vendas externas no valor da produção da indústria de transformação – ficou em 15,8%, a preços constantes, ante 14,2% no mesmo período de 2015. Segundo a economista da CNI Samantha Cunha, isso reflete o crescimento das quantidades exportadas pela indústria de transformação.

Já se vinha notando uma reação mais forte da exportação brasileira de manufaturados pelas estatísticas oficiais. De janeiro a maio, as vendas externas de manufaturados somaram US$ 28,118 bilhões, um acréscimo em valor de 0,6%, pela média diária, em relação ao mesmo período do ano anterior.

O avanço parece modesto, mas o fato de as vendas externas de produtos industrializados terem deixado de cair pode representar uma virada. Note-se que as exportações de manufaturados foram a única categoria da pauta brasileira que cresceu em valor no período janeiro-maio, já que caíram as receitas das commodities (-4,1%) e dos semimanufaturados (-2,6%) com a baixa de cotações internacionais.

A desvalorização do real foi um fator decisivo para a mudança de orientação de muitas indústrias, antes voltadas praticamente só para o mercado interno e que tiveram de adaptar-se a novas circunstâncias, abrir mercados no exterior, o que naturalmente exigiu tempo. Essa etapa de transição parece estar sendo superada.

A CNI também informa que o Coeficiente de Penetração de Importações recuou de 17,2% para 16,5% no período considerado. Isso se refere às importações em geral, em desaceleração consistente com o desaquecimento da economia.

Também relevante, o Coeficiente de Insumos Industriais Importados caiu de 24,6% para 23,6% nos 12 meses terminados em maio. A substituição de insumos importados, que encareceram com a desvalorização cambial, é um processo lento e varia de empresa para empresa, tendendo a ser menor naquelas que agregam mais tecnologia.

A manutenção da tendência de crescimento da exportação de manufaturados dependerá muito do câmbio, mas não só disso. As indústrias nacionais terão de contar com financiamento adequado e mostrar que são capazes de enfrentar um mercado internacional ferozmente competitivo.

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