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Exportação menor afeta o PIB

Para a Fiesp, mercado interno precisará crescer para compensar efeito negativo da crise

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

O setor externo, que ajudou o crescimento do País nos últimos anos, agora deverá dar uma contribuição negativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de 2008. Como conseqüência da crise nos Estados Unidos, impulsionada pelas perdas com hipotecas imobiliárias de alto risco (subprime), este ano, as exportações brasileiras devem ter crescimento bastante modesto, enquanto as importações tendem a aumentar a um ritmo expressivo. Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a contribuição do comércio exterior de bens e serviços deverá ser de dois pontos porcentuais de queda do PIB."Para o PIB aumentar 5%, o crescimento do mercado interno tem de ser muito maior do que foi em 2007, pois se repetir o mesmo resultado a economia crescerá 3%", diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp. No ano passado, a contribuição do setor externo foi praticamente nula.Segundo ele, a tendência é de que as exportações devem ter um crescimento muito baixo, principalmente porque não se espera que este ano o efeito preço seja tão importante quanto foi em 2007 (crescimento médio de 10,5%). "Ao contrário, nós achamos que, na melhor das hipóteses, os preços médios das exportações brasileiras vão se manter estáveis." Então, o aumento das vendas externas seria puramente baseado em volume. "Nossa estimativa é de um crescimento de apenas 5%, contra 16% no ano passado."QUEDA DO SALDOJá pelo lado das importações, a demanda continua aquecida, porque o consumo interno segue em alta e o câmbio sobrevalorizado incentiva as compras externas e desestimula as exportações. Para a Fiesp, as importações devem crescer 25%, ante 30% no ano passado.Pelas estimativas da entidade, as exportações devem fechar o ano ao redor de US$ 168 bilhões, enquanto as importações chegariam a US$ 144 bilhões. Se isso se confirmar, o superávit da balança comercial do País cairá 40%, para US$ 24 bilhões, contra US$ 40 bilhões no ano passado, o que representa um recuo de US$ 16 bilhões no saldo.Os dados do comércio exterior brasileiro referentes ao mês passado não são nada animadores. A balança comercial teve o menor superávit desde junho de 2002. O saldo em janeiro foi de apenas US$ 944 milhões, o que representou queda de 62,5% em relação a janeiro de 2007. As exportações chegaram a crescer 20,8%, mas as importações avançaram 45,6%.A Fundação Centro de Comércio Exterior (Funcex) estima que as exportações alcancem este ano US$ 181,5 bilhões e as importações sejam de US$ 154,5 bilhões, com superávit de US$ 27 bilhões. Fernando Ribeiro, economista-chefe da entidade, observa que esses resultados seriam alcançados num cenário positivo, de baixo impacto da crise americana tanto para a economia mundial quanto para a brasileira. Em um cenário mais negativo, as exportações iriam para apenas US$ 167 bilhões e as importações para US$ 137,5 bilhões, gerando um superávit de US$ 29,5 bilhões. "Certamente, o saldo comercial vai ter uma queda expressiva, pois a tendência é de que as exportações cresçam pouco, por causa da questão dos preços, enquanto as importações devem continuar num ritmo forte, já que por ora não há perspectiva de desaceleração forte da demanda interna", afirma o economista.Para Giannetti da Fonseca, da Fiesp, o País não é vulnerável do ponto de vista das contas externas e precisa defender seu mercado interno. "Agora, mais do que nunca, a taxa de juros deveria cair", defende. Ele afirma que a alta recente da inflação é um fenômeno global e não tem nada a ver com a demanda doméstica. "Desafio qualquer um dos economistas ortodoxos, que ficam estimulando o Copom (Comitê de Política Monetária) a aumentar a taxa de juros, que prove o contrário."

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