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Exportações argentinas caem pela primeira vez em seis anos

País, no entanto, deve fechar o ano com superávit na balança comercial.

Marcia Carmo, BBC

23 de dezembro de 2008 | 06h24

As exportações da Argentina registraram queda pela primeira vez em seis anos, com retração de 6% em novembro em relação ao mesmo mês no ano passado. O superávit na balança comercial de novembro foi 7,3% menor que o do mesmo período em 2007. Os dados são do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) e levaram analistas econômicos a interpretar que a economia argentina pode ter entrado em desaceleração. "Não são dados positivos, mas no mercado privado esperamos que estes números podem cair mais", disse o analista Carlos Melconian à TV América. Segundo ele, o "freio" está mais ligado aos próprios "tropeços" da Argentina do que à crise internacional. O Brasil é o principal destino das exportações argentinas, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). De acordo com a consultoria Abeceb, este resultado revela queda nas vendas para a China, além da redução das exportações de combustíveis ao Brasil, ao México e Estados Unidos. Alimentos e combustíveis"Em relação às vendas ao Brasil, a retração foi observada em cereais, hortaliças e legumes, além de combustíveis", diz o documento. Antes desta notícia, a expectativa era de que os dois países - principais sócios no Mercosul - chegassem este ano a uma balança comercial recorde de US$ 30 bilhões, o que ainda não está descartado. Ao mesmo tempo, de acordo com o Indec, as importações argentinas também mostraram retrocesso (5% em comparação com novembro do ano passado). Nesse caso, a queda não era detectada desde janeiro de 2003. As principais reduções de importações ocorreram em bens de capital e combustíveis, entre outros. No acumulado dos 11 meses deste ano, porém, a Argentina registra saldo positivo na sua balança comercial, de US$ 12,3 bilhões. "Entre os produtos que mais explicam a queda nas importações estão aviões, celulares e determinados veículos para transporte de mercadorias, além de motos e televisores", destaca-se na análise da consultoria Abeceb. Também nesse caso, o Brasil está diretamente envolvido, já que exporta para a Argentina grande parte de sua produção, incluindo automóveis, máquinas agrícolas e celulares, entre muitos outros.DesaceleraçãoTambém nesta segunda-feira, o Indec informou que a produção industrial do país caiu 0,9% em novembro em relação ao mês anterior. Isso ocorreu, principalmente, devido à queda na produção do setor automotivo (24,4%), além do têxtil e siderúrgico. O setor automotivo tem sido um dos mais afetados pela atual crise internacional em vários países, entre eles os Estados Unidos e o Japão. Mas de acordo com o Indec, nos 11 meses do ano, a produção industrial argentina registra alta de 5,3%. Analistas estimam que a Argentina terminará o ano com crescimento econômico de cerca de 6% - após registrar crescimento de mais de 8% ao ano durante seu maior período de expansão econômica, entre 2002 e 2007. A Cepal estima que a Argentina registrará crescimento econômico de quase 7% este ano e de 2,6% em 2009. Para a Cepal e para analistas econômicos locais, as economias da região começaram o ano com forte crescimento graças à alta dos preços das commodities e às grandes quantidades exportadas - no caso da Argentina, a soja, do Chile, o cobre, do Uruguai, a carne, por exemplo. Mas diferentes países da região terminam o ano com forte desaceleração devido, em grande parte, aos efeitos da crise internacional. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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