Exportações brasileiras para a China caíram 35% no primeiro trimestre

Entre janeiro e março, as vendas do Brasil para o gigante asiático somaram US$ 6,190 bilhões

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

11 Abril 2015 | 02h02

A queda nos preços das commodities fez as exportações brasileiras para a China despencarem 35,4% no primeiro trimestre do ano. Entre janeiro e março, as vendas do Brasil para o gigante asiático somaram US$ 6,190 bilhões, ante US$ 9,582 bilhões exportados no mesmo período do ano passado.

A retração para a China foi a mais intensa no primeiro trimestre entre os principais destinos dos produtos brasileiros - ao todo, as exportações caíram 13,7%.

A economia chinesa é uma grande importadora de produtos básicos e o crescimento mais fraco do país tem prejudicado o valor das commodities no mercado internacional. Neste ano, o governo da China anunciou que a meta de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) é de 7%. Se confirmado, será um resultado bastante inferior ao dos últimos anos. No auge do avanço chinês, os preços das commodities subiram, transformando o país no principal parceiro comercial do Brasil e garantindo elevados superávits para a economia brasileira.

"O crescimento da China está mais fraco, logo a pressão sobre a demanda de commodities é menor. Além disso, o comércio mundial está crescendo menos do que crescia antes da crise internacional. Tudo isso colabora, em parte, para a queda do preço das commodities", afirma Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Em março, o preço da soja e do minério de ferro ficaram, respectivamente, 20% e 50% menores do que no mesmo mês de 2014.

O resultado do comércio exterior brasileiro é dependente do desempenho econômico chinês porque a pauta de produtos vendidos para a China é concentrada. No ano passado, 41% da exportação brasileira para a China foi de soja, 30% de minério de ferro e 8,5% de óleo bruto de petróleo. Em 2011, no auge dos preços das commodities no mercado internacional, a lista de produtos exportados era a mesma para a China - a diferença era a maior participação do minério de ferro, que respondeu por 45% do total. Em seguida, apareceram a soja (25%) e o óleo bruto de petróleo ( 11%).

Participação. O tombo das exportações para a China fez o gigante asiático perder participação na pauta brasileira. Entre janeiro e março, a economia chinesa respondeu por 14,5% do total vendido pelo Brasil, segundo a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) - no mesmo período de 2014, a fatia era de 19,3%. A última queda da participação chinesa ocorreu em 2010, quando representava 11,85%.

Com isso, a China foi ultrapassada pela União Europeia como maior destino das exportações brasileiras. Os europeus aumentaram a fatia de compras de 18,1% para 19,2% entre 2014 e 2015. "A China está consolidando um novo modelo de crescimento: menos dependente de investimento e exportações e mais voltado para serviços e mercado interno", diz Daiane Santos, economista da Funcex.

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