Exportações brasileiras para a Europa são as que mais crescem

Vendas externas do País para a região sobem 20% em 2007, ultrapassando as de China, Índia e Turquia

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

19 de março de 2008 | 15h52

As exportações brasileiras foram as que mais cresceram para a Europa entre os maiores parceiros comerciais da UE. Em 2007, as vendas subiram em 20%, taxa acima do crescimento das vendas registrados pela China (19%), Índia (16%) e Turquia (12%). O Brasil somou vendas de 32,5 bilhões de euros, contra 27,2 bilhões em 2006. Segundo a UE, o Brasil também foi o terceiro mercado que mais cresceu para os produtos europeus em 2007, com alta nas vendas dos países do bloco de também 20%. Diante da valorização do euro frente ao dólar, a UE ainda sofre com um saldo comercial cada vez mais deficitário. Em termos de mercado, o Brasil só perdeu em crescimento para a Rússia, com 23%, e Índia, com 21%. O mercado brasileiro chegou a crescer mais que a própria China em termos percentuais. As exportações européias aumentaram em 12% para o mercado chinês. No total, o valor das exportações européias ao Brasil passou de 17 bilhões de euros em 2006 para 21,3 bilhões de euros no ano passado. Em termos absolutos, porém, o Brasil continua distante dos principais parceiros comerciais da Europa. O País exportou apenas um sétimo de todas as vendas da China para o mercado europeu. Em 2007, os chineses foram os maiores fornecedores de bens para os 27 países do bloco, somando 231 bilhões de euros, contra 180 bilhões de euros de exportações americanas. Na classificação geral, o Brasil ocupa a décima posição como principal parceiro europeu. No total, o déficit da Europa com o Brasil se ampliou em 2007, com um saldo negativo de 11,2 bilhões de euros. Em 2006, o saldo havia sido de 9,4 bilhões de euros a favor do Brasil. "O Brasil se favoreceu tanto pelo aumento no volume de vendas, mas também graças à alta no valor das commodities", afirmou Gilberto Gambini, responsável pelas estatísticas de comércio da Europa. No total, as vendas mundiais de alimentos para a Europa cresceram 11% em 2007, somando 81 bilhões para os 15 países da zona do euro. Mas o maior déficit da Europa é ainda com a China. Os saldo negativo já soma 159,2 bilhões de euros em 2007, um aumento de quase 30 bilhões de euros em comparação a 2006. Já com os EStados Unidos, o superávit europeu diminuiu, diante da desvalorização do dólar. A balança comercial européia somou um saldo positivo com os americanos em 80,4 bilhões de euros no ano passado, contra 93,8 bilhões em 2006. Dólar A UE ainda viu uma retração de 3% em suas exportações para o mercado americano em 2007, em parte por causa do euro fortalecido, mas também diante da desaceleração da economia dos Estados Unidos. A queda para a Coréia também de 3%, contra uma redução de 2% para o Japão. Segundo os dados da Comissão Européia, o euro forte fez com que o déficit da zona do euro aumentasse em janeiro deste ano, em comparação ao mesmo mês de 2007. O saldo negativo chegou a 10,7 bilhões de euros, contra 7,3 bilhões um ano antes. O déficit é bem maior que os 4,1 bilhões de euros negativos de dezembro de 2007. No total, o comércio da zona do euro cresceu em 7,4%. Contabilizando todos os 27 países da UE, o déficit também aumentou, atingiu 30,7 bilhões de euros, quase o dobro do mês de dezembro de 2007. Em janeiro de 2007, esse volume era de 26 bilhões de euros. Apesar do desequilíbrio maior nas contas, a UE comemorou uma queda leve do déficit energético, passando de 280 bilhões em 2006 para 269 bilhões negativos em 2007. Já o superávit no setor de máquinas e veículos aumentou de 101 bilhões de euros em 2006 para 129,9 bilhões no ano passado. O maior superávit comercial da Europa é ainda da Alemanha, com 195 bilhões de euros em 2007, seguido pela Holanda, com 42,5 bilhões, dado que inclui o fluxo de produtos pelo porto de Roterdã e que acabam indo para outros países europeus. O maior déficit é o do Reino Unido, com uma balança comercial negativa em 132,6 bilhões de euros, seguido pela Espanha com 96 bilhões e 44,6 bilhões de déficit na França.

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