China Daily/Reuters
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Exportações da China têm maior queda em seis anos

Em fevereiro, desempenho comercial do país registrou o maior tombo desde maio de 2009 e frustrou expectativas de analistas; importações de minério de ferro cresceram e beneficiaram a Vale

Reuters

08 de março de 2016 | 20h55

 O desempenho comercial da China em fevereiro foi muito pior do que a expectativa de economistas, com as exportações recuando no ritmo mais forte em mais de seis anos, dias depois de os principais líderes buscarem garantir a investidores que o cenário para a segunda maior economia do mundo permanece sólido.

As exportações tombaram 25,4% em relação ao ano anterior, duas vezes mais do que o mercado estimativa, com a demanda piorando em todos os principais mercados da China, enquanto as importações caíram, 13,8%, o 16º mês de queda.

A queda das exportações foi a maior desde maio de 2009, mas economistas destacaram que isso pode não necessariamente indicar uma piora significativa nas condições econômicas devido à atividade fortemente reduzida durante o feriado no Ano Novo Lunar, que neste ano aconteceu no início de fevereiro.

Ainda assim, as exportações de janeiro e fevereiro somadas, que deveria eliminar parte dos efeitos do feriado, caíram 17,8% e as importações, 16,7%, indicando uma demanda persistentemente fraca tanto interna quanto externa que está pressionando a economia do país.

"As exportações foram muito fortes em fevereiro do ano passado porque o Ano Novo Lunar começou tarde, e muito do desvio causado pelo feriado foi empurrado para março. Assim, é bem provável que vejamos uma significativa reversão e um número mais forte no próximo mês", disse o economista do Capital Economics Julian Evans-Prichard.

"Suspeitamos que as exportações no geral continuam fracas, mas não vemos muita evidência de deterioração expressiva, por exemplo, não houve uma queda repentina nas encomendas para exportação na (pesquisa) PMI do Markit, e eles em geral fazem um bom trabalho de ajuste para sazonalidade."

A China registrou superávit comercial de 32,59 bilhões de dólares no mês, abaixo dos 63,29 bilhões de dólares em janeiro, informou a Administração Geral de Alfândegas nesta terça-feira.

Minério de ferro. As importações de minério de ferro, no entanto, subiram 8,3% em fevereiro, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 73,61 milhões de toneladas, à medida que grandes mineradoras aumentaram as exportações para ganhar participação de mercado no maior consumidor mundial.

As importações subiram 6,4% no primeiro bimestre, para 155,8 milhões de toneladas, mostraram dados da Administração Geral da Alfândega.

As mineradoras globais Vale, BHP Billiton e Rio Tinto elevaram a produção, pressionado mineradoras que operam com maiores custos na China e em outros locais.

"Acho que o mercado de exportação (de minério de ferro) continua a ganhar participação na China, o que significa que mesmo com uma leve queda nos preços do aço, esperaríamos que a demanda de importação continuasse robusta", disse Daniel Hynes, estrategista de commodities da ANZ.

No entanto, Hynes disse que um recente rali nos preços do insumo da indústria siderúrgica significa que algumas produtoras de minério chinesas podem retomar a produção, potencialmente limitando as importações mais à frente.

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