Exportações de carne bovina caem 14,1% por causa da aftosa

Os dados divulgados hoje pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior mostram que houve uma queda de 14,4% nas exportações de carne bovina em outubro na comparação com outubro de 2004. Segundo o Ministério, a redução se deve principalmente a uma retração de 41,3% nas vendas para a União Européia por conta das restrições comerciais impostas ao produto brasileiro em função da ocorrência da febre aftosa. O Ministério informa que as exportações de carne bovina caíram US$ 180 milhões em outubro de 2004 para US$ 154 milhões em outubro de 2005. Em relação às vendas para a União Européia, a queda foi de US$ 66,2 milhões para US$ 38,8 milhões. Na comparação com setembro de 2005, as exportações de carne bovina caíram 23%. Greve pode piorar exportações A exportação de carne pode ficar ainda mais prejudicada pela greve dos fiscais federais agropecuários, que anunciaram que vão entrar em greve a partir da próxima segunda-feira, dia 7 de novembro. A paralisação, decidida em assembléia da semana passada, não tem data para acabar. A categoria é responsável pela fiscalização de zoonoses como a gripe aviária e a febre aftosa dentro do território nacional. Além disso, encarrega-se do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que certifica os produtos agropecuários que entram e saem do Brasil. Uma paralisação prolongada da categoria tem, por isso, potencial de prejudicar o desempenho das exportações brasileiras. Segundo a Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), há atualmente 4.500 profissionais trabalhando na área. A assembléia realizada na semana passada decidiu que apenas aqueles trabalhando em áreas fundamentais como a da febre aftosa e da gripe aviária vão trabalhar normalmente. O diretor de comunicação da Anffa, Adriano da Silva Guahyba, espera que a adesão aproxime-se de 100%. Reivindicações Os fiscais federais têm uma lista de reivindicações ao Ministério da Agricultura. Segundo Guahyba, a categoria protocolou 30 ofícios com seus pedidos e a diretoria da Anffa só foi recebida uma vez para negociações. "Mas o governo não nos ofereceu nada de concreto", afirmou. A Anffa afirma que o governo jamais cumpriu o acordo que havia encerrado a greve dos fiscais em 2002. "Havia sido negociado que a gratificação dos funcionários da ativa seria estendida aos aposentados, mas isso não ocorreu", explica. Além disso, a categoria pede uma reestruturação do plano de carreira. A Anffa também reivindica o fim do contingenciamento das verbas para defesa sanitária. "O surto da aftosa foi uma tragédia anunciada, já havíamos alertado a Casa Civil sobre o risco de problemas sanitários por causa da falta de recursos", diz o sindicalista. Por fim, a categoria quer chamar a atenção para um projeto de lei que quer flexibilizar a inspeção sanitária, estendendo poderes do SIF para a esfera dos municípios e estados.

Agencia Estado,

01 Novembro 2005 | 16h26

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