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Exportações de veículos aumentam; receita não

As exportações do setor automotivo bateram mostraram sinal de crescimento em julho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Foi US$ 1,06 bilhão de receita, alta de 9,1% em relação a junho e de 11,6% sobre julho do ano passado. No acumulado do ano, as exportações do setor atingem US$ 6,65 bilhões, alta de 6,8% em comparação ao mesmo período de 2005. Embora apresente alta do faturamento com exportações, a indústria automotiva brasileira não observa o mesmo comportamento quando analisada a comercialização externa de veículos e máquinas agrícolas em volumes de unidades, conforme revelou a Anfavea. "As empresas estão ajustando seus preços no exterior, por causa do valorização do câmbio, e os compradores estão diminuindo os pedidos. Não veríamos a queda de volume se os compradores estivessem dispostos a pagar mais pelo mesmo produto", observou o presidente da associação, Rogelio Golfarb. Na relação de julho de 2006 sobre o mesmo mês do ano passado, enquanto as exportações somadas de veículos e máquinas agrícolas cresceram 11,6% em faturamento, saltando de US$ 947,71 milhões para US$ 1,05 bilhão, o volume de veículos (leves, caminhões e ônibus) exportados cedeu 5,1%, recuando de 80,28 mil unidades em julho de 2005 para 76,21 mil em julho deste ano.Já as vendas externas de máquinas agrícolas recuaram 35,3%, em unidades, na comparação de julho deste ano sobre o mesmo mês do ano passado. Se em julho de 2006 as exportações de maquinas agrícolas estiveram em 1,76 mil unidades, em julho de 2005, estavam em 2,72 mil unidades.Em relação a junho de 2006, as exportações por unidade de veículos subiram 6,9%, uma vez que, naquele mês, 71,27 mil unidades foram exportadas, enquanto que em julho, o volume atingiu 76,21 mil unidades. Em máquinas agrícolas, em julho ante junho de 2006, houve recuo de 15,7% no volume de unidades exportadas, recuando de 2,08 mil unidades, em junho, para 1,76 mil em julho.Projeção de crescimento Por conta desta queda de ritmo de exportações em unidades, o presidente da Anfavea admite que a projeção de crescimento de 4,5% da produção de automóveis este ano poderá ser revista. "Entre janeiro e julho deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado, a produção de veículos cresceu 4,4%, resultado abaixo da meta, por conta da queda de exportação em unidades. Poderemos rever a projeção de produção para o ano por causa dessa queda de exportações unitárias", explicou.Ele ponderou ainda que, diferentemente de outros setores exportadores, caso de minério de ferro, soja em grão, petróleo e álcool, o segmento de veículos e máquinas agrícolas não vive um período de ampliação de unidades exportadas acompanhando o faturamento, o que contribuiu, portanto, a preocupar ainda mais o setor. Fôlego Golfarb afirmou ainda que espera que as medidas adotadas para o favorecimento das empresas exportadoras, como a ampliação das linhas de financiamento de exportação pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a possibilidade de os exportadores manterem no exterior parte dos recursos obtidos com vendas internacionais, possam dar um fôlego maior para as exportações, mas evitou traçar projeções otimistas para o curto prazo. "Sem nenhuma dúvida, as medidas anunciadas são muito positivas e estão no caminho certo para ganharmos competitividade por meio da redução dos custos das transações cambiais. A direção está correta, mas os efeitos são graduais e não dá para medirmos num curtíssimo prazo", salientou.Por ainda manter dúvidas sobre o ritmo das exportações e ainda aguardar qual será a demanda do mercado doméstico, o presidente da Anfavea acredita que o emprego no setor permanecerá estável ao longo deste ano. "Durante o período de crescimento da produção, entramos em processo de contratações bastante intenso. Neste momento, tendemos a uma estabilidade nos empregos do setor", disse, ao lembrar que 107,1 mil empregos diretos são gerados no segmento.Na visão de Golfarb, os dados da indústria automotiva, que, em julho, registrou queda de produção de 1,1% ante junho, estão "perfeitamente alinhados" com os dados de queda da atividade industrial divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "A produção industrial tem um mês de defasagem em relação aos dados da Anfavea e o que vemos é uma sintonia perfeita das informações", opinou, ao acrescentar que as indicações, com base nos dados da Anfavea, são de que a atividade industrial também deverá cair em julho no conjunto das indústrias.Momento positivo Golfarb disse ainda que o mercado brasileiro viveu um momento positivo em julho, por conta de maior demanda do consumo, mas dentro de um "ambiente tranqüilo" de redução de juros, inflação sob controle, Produto Interno Bruto (PIB) projetado em torno de 3,6% para o ano e risco país em nível baixo. A manutenção desse ambiente doméstico, segundo ele, cria condições para que o setor mantenha bom desempenho, apesar de ser certa uma nova rodada de reajustes de preços dos veículos, uma vez que o preço do aço vendido às montadoras tem sofrido aumentos diante da escalada de demanda global. "Obviamente, o reajuste do aço será repassado ao consumidor, mas, na combinação, ainda teremos crescimento do mercado interno", estimou.A Anfavea informou que os estoques de veículos em indústria e concessionárias estavam, em julho, em 189,31 mil unidades, suficientes para o atendimento de 34 dias de vendas. Em junho, os estoques estavam em 198,61 mil unidades, com capacidade para atendimento durante 40 dias. Este texto foi atualizado às 16h27.

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