Exportações do Brasil para os EUA ganham fôlego

Projeções são de que, dentro de dois a quatro anos, os EUA superem a China como maior destino dos produtos brasileiros

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2015 | 02h05

Depois de perder a liderança para a China em 2009, os Estados Unidos poderão voltar a ser o principal destino das exportações brasileiras em poucos anos, como resultado do coquetel que une queda no preço das commodities, crescimento da economia americana, perda de fôlego da locomotiva chinesa e desvalorização do real. Em janeiro, os embarques para os EUA já superaram os destinados ao país asiático, que tiveram um tombo de 35%.

Se o resultado do mês passado se repetir ao longo do ano, os EUA poderão fechar 2015 à frente da China. Mas o mais provável é que isso ocorra dentro de dois a quatro anos, segundo projeção de Diane Santos, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex).

No ano passado, os EUA superaram a Argentina e se tornaram o principal destino de exportações de manufaturados do Brasil, com embarques de US$ 15,1 bilhões. Com a recuperação da economia americana e a queda do real, esse movimento deve se acelerar em 2015. A previsão de Santos é que a exportação de produtos industriais para os EUA cresçam 6,8% neste ano.

Enquanto as vendas para a China são dominadas por produtos básicos, os embarques para os Estados têm maior participação de bens manufaturados e semimanufaturados. Além de representarem maior valor agregado no mercado doméstico, as exportações industriais estão menos sujeitas às oscilação de preços internacionais que afetam as commodities.

Soja, minério de ferro e petróleo representaram 80% das vendas brasileiras à China no ano passado. Os produtos manufaturados responderam por 54% dos embarques para os EUA no mesmo período, mostram dados da Funcex. A participação dos semimanufaturados foi de 21% e a dos básicos, de 25%.

Até os anos 2000, o mercado americano era líder absoluto no ranking dos maiores destinos das vendas brasileiras, com participação de 24% no início daquela década. A China aparecia em um distante 12º lugar e respondia por 2% dos embarques.

Nos anos seguintes, o espetacular crescimento do país asiático gerou o boom nas commodities, que elevou o preço de produtos como minério de ferro, o principal item da pauta brasileira na maior parte da década passada. A China ultrapassou os EUA em 2009 e, em 2014, foi o destino de 18% dos embarques nacionais. O mercado americano veio em seguida, com 12%.

"Os Estados Unidos são o único mercado do mundo que cresce continuamente", disse o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Para ele, os EUA devem ser a prioridade do governo e dos exportadores brasileiros.

O ritmo de alta das vendas para a maior economia do mundo este ano deve ser limitado pela queda do preço do petróleo e a expansão da produção de petróleo e gás nos EUA, avaliou Diane. Desde 2006, o produto é o maior item na pauta de exportações para os EUA. No ano passado, essas vendas somaram US$ 3,4 bilhões e representaram 12,6% dos embarques ao país. Em seguida vieram produtos manufaturados de ferro e aço (US$ 2,2 bilhões), aviões (US$ 1,93 bilhão), motores e turbinas para aviões (US$ 1,57 bilhão) e café em grão (US$ 1,2 bilhão).

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