Exportações do Japão têm maior queda em 6 meses por Europa e China

As exportações do Japão recuaram em julho no maior ritmo em seis meses devido à queda nos embarques para Europa e China, o que aumenta as preocupações quanto à demanda global.

LEIKA KIHARA E STANLEY WHITE, Reuters

22 de agosto de 2012 | 09h14

A queda de 8,1 por cento em julho foi muito maior do que a previsão de economistas, de recuo de 2,9 por cento na comparação anual.

Uma baixa de 25,1 por cento nas exportações à União Europeia --a maior desde outubro de 2009-- fez o Japão registrar um déficit comercial recorde com a região.

"A crise de dívida da Europa é o primeiro fator a pesar sobre as exportações, e o ritmo de queda está aumentando. Isso se compara à situação pós-Lehman", disse o economista-chefe do Bank of America Merrill Lynch em Tóquio, Masayuki Kichikawa.

"Nós esperávamos que a demanda doméstica na China daria suporte à economia do Japão, mas a realidade foi diferente", acrescentou.

Os números desta quarta-feira reforçam a tese de que a desaceleração do crescimento econômico nos principais exportadores da Ásia pode ter efeitos até o terceiro trimestre de 2012.

As exportações de Taiwan --importante fornecedor de tecnologia para o mundo todo-- recuaram em julho pelo quinto mês seguido. A Coreia do Sul --sede de importantes fabricantes de veículos, chips e telas planas-- amargou no mês passado a maior queda nas exportações em quase três anos.

As exportações da China subiram apenas 1 por cento em julho e ficaram muito aquém das expectativas.

"Estamos ficando cada vez mais preocupados", disse o diretor do Credit Suisse em Cingapura, Robert Prior-Wandesforde. "No geral, as exportações estão mais fracas e têm decepcionado as expectativas", acrescentou.

A queda nas importações de bens japoneses pela UE aumenta os receios de que o bloco entrou em recessão.

Já as exportações para a China --maior parceira comercial do Japão-- recuaram 11,9 por cento ante o ano anterior e tiveram a maior queda em cinco meses devido principalmente ao menor embarque de semicondutores, eletrônicos e peças automóveis.

(Reportagem adicional de John O'Callaghan e Charmian Kok em Cingapura)

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