Exportações e importações têm queda ''sincronizada''

Vendas externas caíram quase o mesmo que as compras, neutralizando efeito da crise do setor no PIB

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de junho de 2009 | 00h00

As exportações e importações de bens e serviços no primeiro trimestre bateram recordes de queda nas séries da pesquisa do Produto Interno Bruto (PIB) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), iniciadas em 1996. As exportações caíram 15,2% em relação ao mesmo período do ano passado e 16% sobre o trimestre anterior. Entre as importações, a queda sobre o trimestre anterior, de 16,8%, também é recorde. E a diminuição de 16%, em relação ao mesmo período do ano passado, é a pior desde o primeiro trimestre de 2002, quando a redução foi de 17,7%. "Já era previsto que seriam grande quedas", disse o vice-presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. "Todo setor manufaturado teve queda de exportação." Ele observou, porém, que anteriormente se imaginava que as exportações cairiam mais que as importações, mas a alta do dólar no início da crise inibiu as importações. No acumulado de 12 meses até março, as exportações foram o único grupo do PIB que teve variação negativa em comparação a igual período anterior. A queda foi de 3,5%. As importações de bens e serviços aumentaram 9,6% no período. Pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2006, o setor externo não deu uma contribuição negativa para o PIB. A gerente de contas trimestrais do IBGE, Rebeca Palis, explicou que a queda das exportações (-15,2%), comparativamente a igual trimestre do ano passado, ficou muito próxima da queda das importações (-16,0%), o que acabou "neutralizando" os efeitos da crise no cálculo. Rebeca sublinhou que o recuo das importações no período representou a primeira queda trimestral desde o terceiro trimestre de 2003, quando caíram 5,3% em relação a igual período de 2002. Ela observou que as principais reduções na pauta de importações no primeiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, ocorreram nos segmentos de material eletrônico, material elétrico, outros produtos do refino, peças e acessórios para veículos e químicos diversos. Estudo da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), feito com base em dados da balança comercial só para bens e em valor, é coerente com as quedas em volume apuradas na pesquisa do PIB para exportações e importações de bens e serviços. Um total de 26 de 28 setores tiveram queda das exportações em valor no primeiro quadrimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Funcex. As exceções foram extração de minerais metálicos (+38,8%) e agricultura e pecuária (+10,2%). Em 19 dos 28 setores, as quedas foram de mais de 20%. No caso das importações, foram 21 em 28 setores que tiveram queda nos primeiros quatro meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado.

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