Exportações puxam bom desempenho industrial

A reduzida demanda do mercado interno está provocando a queda na produção industrial em algumas regiões do País e, do lado inverso, beneficiando comparativamente locais cujos setores industriais com maior peso têm fatia significativa das vendas voltadas para o mercadoexterno. As seis regiões que apresentaram crescimento da produção em agosto têm as exportações como principal ponto em comum, seja nos segmentos de celulose, químico ou agroindustrial. A maior parte (RJ, ES, BA e MG) é forte também na produção de petróleo, gás e minério.Rio de Janeiro (20,7%), Bahia (17,7%), Espírito Santo (17,5%), região Nordeste (5,2%), Minas Gerais (3,3%) e Paraná (3,2%) foram as regiões que, segundo a pesquisa industrial regional divulgada esta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentaram crescimento na produção entre os 12 locais pesquisados.A técnica do Departamento de Indústria do instituto, Mariana Rebouças, explicou que essas regiões estão conseguindo reagir melhor diante do quadro conjuntural que prejudica as demais, marcado por rendimento em queda, juros altos e investimentos deprimidos. "Os locais mais dinâmicos estão crescendo principalmente via mercado externo (especialmente celulose e agroindústria) e petróleo e gás", disse.O segmento de papel e papelão - com importante fatia das vendas voltada para exportação - puxou para cima o desempenho de três das seis regiões que cresceram. O setor apresentou aumento da produção em agosto ante igual mês do ano passado de 30,1% na Bahia; 78,8% no Espírito Santo; e 12,6% no Paraná.Mariana explica que não apenas as exportações vêm puxando as indústrias de celulose como no Espírito Santo, por exemplo, a Aracruz Celulose ampliou a unidade industrial e elevou a produção nos últimos meses. Na Bahia e no Paraná parte da produção também segue para o mercado externo.No caso de petróleo e gás, que tem sido o principal responsável pela estabilidade da produção industrial no País, a influência positiva ocorreu sobre quatro das seis regiões. O destaque foi o Rio de Janeiro, sede da Petrobras, onde a produção extrativa mineral cresceu 20,5% em agosto ante igual mês do ano passado.Mariana lembra que a Petrobras tem elevado a exportação de petróleo pesado e vem registrando aumentos de produção mensais consecutivos.Além do Rio, a extrativa mineral, liderada pelos segmentos de petróleo e gás, teve impacto de alta nas produções de Minas Gerais, onde aumentou 15,9% e cresceu 4,8% na Bahia e 16,1% no Espírito Santo (com a contribuição no Estado também do minério pelotizado, também voltado para exportação).Outro dos principais destaques de sustentação da produção é a agroindústria, um dos setores com maior impacto positivo na balança comercial do País. O crescimento da produção do Paraná em agosto, por exemplo, foi puxado especialmente pelo setor mecânico (52,4%), com destaque para colheitadeiras agrícolas, para atender ao setor agroindustrial. A própria indústria alimentícia apresentou crescimento de 5% no Estado em agosto.A produção da indústria alimentar contribuiu também para a alta da produção de duas outras das seis regiões: Espírito Santo, onde cresceu 27,4%, e Minas Gerais, com aumento de 11,6%. A indústria química também foi destaque em três das seis regiões que apresentaram expansão da produção em agosto. Voltado em parte para o mercado externo e vinculada ao setor de petróleo, já que é responsável pelo refino, o segmento químico registrou crescimento determinante para a Bahia (28,4%) e a região Nordeste como um todo (19,2%), além do Rio de Janeiro (45,8%).

Agencia Estado,

17 de outubro de 2002 | 20h25

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.