Exportações se recuperam após a greve

O recuo das exportações não chegou a provocar maiores apreensões com relação ao balanço de pagamentos, mas era um elemento a mais a prejudicar a atividade econômica

O Estado de S.Paulo

24 Junho 2018 | 03h00

A média diária de exportações de US$ 1,114 bilhão na semana de 11 a 17 de junho indica que começou o processo de normalização das vendas externas, gravemente afetadas pela greve dos transportadores. O recuo das exportações não chegou a provocar maiores apreensões com relação ao balanço de pagamentos, mas era um elemento a mais a prejudicar a atividade econômica, afetada pelo movimento paredista e pela política errática adotada pelo governo para enfrentar o problema.

Na primeira semana de junho, a média diária de exportações foi de apenas US$ 737,7 milhões e, na segunda semana, de US$ 825,1 milhões. Com a recuperação verificada na terceira semana de junho, a média dos primeiros 11 dias do mês atingiu US$ 948,5 milhões, superando em 3,5% a média de maio e em 3,9% a média anual de 2018. Em parte, os resultados podem ser atribuídos ao atendimento de contratos de exportação que podiam ser cumpridos com atraso. Mas uma parcela das vendas foi perdida, em especial, no caso de bens perecíveis.

A comparação entre as primeiras três semanas de junho de 2017 e junho de 2018 mostra que predominaram as exportações de manufaturados, com crescimento de 13,5%, ajudadas por óleos combustíveis, aviões, óxidos e hidróxidos de alumínio, máquinas e aparelhos para terraplenagem e tubos flexíveis de ferro/aço. Na mesma base de comparação, as vendas de semimanufaturados caíram 16,5%, influenciadas por açúcar em bruto, ouro, itens de ferro e aço, madeira e zinco em bruto. Também cederam as exportações de itens básicos como petróleo em bruto, carne bovina e de frango, milho em grãos e fumo em folhas. Mas as exportações de soja foram favoráveis.

As importações foram menos atingidas pela greve e cresceram 14,2% entre as três primeiras semanas de junho de 2017 e de junho de 2018. Por isso, o superávit comercial caiu, em igual período, de US$ 32,6 bilhões para US$ 27 bilhões. O crescimento das importações é um sinal de que a demanda continua forte no País, acima do que poderia sugerir o ritmo lento da retomada.

O superávit comercial estimado para este ano pelas consultorias ouvidas para o boletim Focus do Banco Central em 15/6 foi de US$ 58,3 bilhões. Embora inferior ao superávit de US$ 67 bilhões de 2017, é um sinal de vigor das exportações.

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