Exportações têxteis têm crescimento reduzido

Dados compilados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) mostram que as exportações de produtos têxteis de janeiro a maio desse ano atingiram montante de US$ 720,51 milhões, um aumento de 11,65% ante igual período do ano passado. O desempenho é inferior ao de 2004, quando as vendas externas nos primeiros cinco meses do ano subiram 19,77% ante igual período em 2003."Esse ano, o baque cambial tem sido forte", afirmou o diretor-superintendente da entidade, Fernando Pimentel. Em entrevista durante o Fashion Rio, um dos principais eventos de moda do Rio de Janeiro, o executivo observou que, por mais que as empresas brasileiras conquistem mercado e sejam competitivas, não podem competir com o atual patamar de câmbio. "É inegável que o efeito câmbio, a curto prazo, afeta a capacidade de competir das empresas brasileiras", disse. A Abit estimava alta de 10% nas exportações de produtos têxteis para esse ano, ante alta de 26% em 2004. Pimentel não descartou a possibilidade de que esse patamar possa ser mais baixo, em torno de 6%. O fim do Acordo Têxtil e de Vestuário (ATV), que durante 40 anos estabeleceu cotas de exportação por países, também contribuiu para o crescimento menor.A redução no ritmo de crescimento também atingiu as importações brasileiras de produtos têxteis. As compras externas atingiram montante de US$ 613,81 milhões de janeiro a maio desse ano, cifra 4,39% maior ante igual período em 2004. Em igual período no ano passado, porém, o crescimento das importações foi de 30,57%, ante janeiro a maio de 2003. Isso decorre da menor quantidade de importações de algodão. "Esse ano tivemos uma safra favorável de algodão, e não precisamos importar tanto quanto importamos no ano passado", disse. Porém, sem citar números, ele considerou que, no caso de produtos manufaturados, como fios e tecidos, as importações cresceram, principalmente as originadas da China. O executivo comentou que o setor têxtil está aguardando a publicação, no Diário Oficial, de decreto que regulamenta o pedido de salvaguardas para produtos têxteis da China. Há uma preocupação com a entrada ilegal de itens chineses no mercado interno brasileiro. A projeção de alta no faturamento do setor têxtil brasileiro em 2005 também foi revisada para baixo pela Abit. Segundo o Pimentel, a Abit trabalhava com um patamar de crescimento da ordem de 5% a 6% no faturamento de 2005, no início do ano. "Mas agora creio que vamos crescer metade disso, cerca de 3%. A renda não está subindo como deveria subir", justificou.

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