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Exportador perde com o real, moeda com 2ª maior alta em 2009

Na quinta-feira, moeda brasileira já acumulava 15% no ano, atrás apenas do rand sul-africano, com 18,4%

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

O real é a segunda moeda entre as principais economias mundiais que mais se valorizou frente ao dólar este ano. De acordo com cotações da agência Bloomberg, na quinta-feira a moeda brasileira já acumulava alta de 15%, atrás apenas do rand sul africano, com ganho de 18,4% em relação ao dólar. Na outra ponta, o peso argentino sofreu desvalorização de 7,61% e o iene japonês caiu 6,2%.Reflexo da confiança internacional no País em um momento de crise global, a valorização cambial rouba competitividade das exportações brasileiras, principalmente de produtos manufaturados, que já vinham em queda por causa da recessão mundial. Além disso, estimula a importação e favorece a substituição de produção nacional por bens externos. "Tudo isso contribui bastante para dificultar a recuperação da economia brasileira", diz Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).A desvalorização do dólar é uma tendência mundial, mas na visão dos exportadores os juros altos são o principal responsável pelo real sobrevalorizado. Para eles, a taxa de juros real desproporcionalmente alta em relação à de outros países atrai para o Brasil um número crescente de investimentos financeiros, que inundam o mercado de dólares e fazem a valorização do real ser muito superior à de outras moedas. O quadro é reforçado ainda pela avaliação que prevalece no exterior de que o País tem resistido bem à crise."Com reservas de US$ 200 bilhões e uma das maiores taxas de juros do mundo, o Brasil é um verdadeiro porto seguro para os investidores estrangeiros em meio à turbulência global", afirma José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).Com a taxa de câmbio abaixo da barreira psicológica de R$ 2 por dólar, os exportadores reclamam que a vida ficou muito mais difícil. "Não se pode mais planejar", diz Alvaro Weis, presidente da Artefama, maior exportadora de móveis do País. "Os investimentos especulativos fluem para cá e, com isso, o câmbio vai derretendo".Weis conta que a empresa vinha recuperando de forma gradativa o espaço perdido no mercado americano, aproveitando que o câmbio esteve favorável ao produto brasileiro no primeiro trimestre. "Agora, corremos sério risco de ter de devolver para os chineses o que havíamos reconquistado." A saída encontrada pela Artefama, que até o ano passado exportava toda a sua produção, foi buscar também o mercado interno."Nossa meta é colocar 20% da produção no mercado doméstico", diz o empresário.Na avaliação de Fuad Mattar, dono da Paramount Têxteis, o real sobrevalorizado prejudica as exportações, mas são as oscilações bruscas do câmbio que complicam mais a vida das empresas. "Precisa ser adivinho para ser industrial", queixa-se o empresário. "Exportamos com câmbio de R$ 2,27 por dólar e agora estamos entregando os produtos com o dólar valendo menos de R$ 2."Para contornar o problema, a Cerâmicas Eliana passou a trabalhar com revisão trimestral do orçamento de câmbio. "Vamos tentar subir o preço em dólar, o que é possível em alguns mercados, ou mudar o mix de produtos, incluindo itens de maior valor agregado", avalia o presidente da empresa, Edson Gaidzinski Júnior. "Caso o dólar caia abaixo de R$ 1,80, a saída será redirecionar os produtos para o mercado interno".A Vitopel, fabricante de embalagens plásticas flexíveis, colocou o pé no freio e reduziu as exportações em 20%. "Vamos manter vendas só para os clientes tradicionais", diz o presidente, José Ricardo Roriz Coelho.

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