coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Exportadoras devem ter resultados afetados

A desvalorização cambial, que vem corroendo o resultado líquido das empresas desde 1999, terá neste segundo trimestre um forte agravante. A dois dias de fechar o mês, o dólar que corrigirá integralmente as dívidas externas das companhias atingiu a maior cotação do Plano Real (R$ 2,88). Analistas esperam piora na última linha dos balanços, mesmo no caso das exportadoras. Na avaliação dos especialistas, o preço da moeda americana que balizará o trimestre pode até recuar um pouco, mas ainda assim ficará próximo de R$ 2,85 - o que significaria alta de 22,8% em relação ao fim de março. O impacto negativo será total sobre os passivos em dólar, mas o ganho com as vendas externas será diluído, pois seguirá o câmbio fechado em cada operação, conforme explicou a chefe do departamento de pesquisas da BES Securities, Mônica Araújo. "Os resultados devem vir muito fracos, sobretudo pela correção do estoque da dívida em moeda estrangeira." Mônica ponderou, no entanto, que algumas empresas podem ter feito hedge (proteção) nos últimos meses, o que aparecerá somente depois da divulgação dos balanços. A analista lembrou que as estatais, normalmente, não se utilizam de mecanismos de hedge. "Será um massacre nos balanços", resumiu Carlos Firetti, diretor da BBV Corretora. Segundo ele, as elétricas tendem a sofrer mais, pelo perfil do endividamento. A desvalorização provoca num primeiro momento efeito apenas contábil sobre a dívida, sem impactar o caixa, mas afeta o resultado final. Firetti afirmou que esse comportamento é esperado também nas exportadoras porque tais companhias não costumam utilizar instrumentos financeiros para proteger os vencimentos, por causa do chamado "hedge natural" - a receita com vendas externas. "No entanto, haverá um ganho expressivo na geração operacional de caixa (Ebitda) dessas empresas." Tal indicador, que exclui o peso das despesas financeiras, é um dos principais termômetros utilizados pelos analistas para as recomendações de investimento. Dessa forma, mesmo com uma possível retração no lucro, exportadoras como a Vale do Rio Doce, CST, Embraer, Aracruz e VCP são vistas como boas apostas. Firetti disse que, além do Ebitda ser um fator positivo, as empresas com receitas em dólar tendem a apresentar desempenho melhor do que o mercado em momentos de crise. O analista do Unibanco Research Cleomar Parisi acredita que, para o futuro, alguns setores podem apresentar melhora operacional, por causa da recuperação nos preços de commodities - como papel e celulose, petróleo e aço - e da sazonalidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.