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Com alta do dólar, exportadoras serão destaque no 3º tri

Só um pequeno grupo de empresas, que inclui ainda financeiras e companhias com receitas no exterior, conseguirá agradar a investidores, dizem analistas

O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2015 | 02h04

Os resultados corporativos do terceiro trimestre devem restringir ainda mais o já pequeno grupo de companhias listadas na Bovespa que estão conseguindo agradar a seus investidores, em um cenário de recessão, com juros, desemprego, inflação e dólar altos.

Esse time seleto inclui empresas financeiras, algumas exportadoras e outras companhias que detêm parcela relevante das receitas no exterior. Há também as que conseguirão amenizar o desempenho operacional fraco com maiores ganhos financeiros, dado o elevado nível de caixa em relação às dívidas de curto prazo. Não por acaso, essas são as empresas recomendadas mais recentemente por analistas como suas preferidas na bolsa brasileira.

"O cenário atual restringe o universo de companhias capazes de ter resultados bons a um número muito pequeno", disse o estrategista do Santander Brasil Leonardo Milane.

No caso dos bancos, o receituário para limitar os efeitos da alta da inadimplência, como o aumento das despesas com provisões e renegociações, têm passado por spreads maiores na concessão de empréstimos novos, mesmo em linhas mais seguras, como consignado e crédito imobiliário. Devem também apurar ganhos maiores com a carteira de títulos, por causa dos juros mais altos.

As aplicações financeiras também devem reforçar os lucros de companhias financeiras não bancárias, casos de Cetip, BB Seguridade e Sul América. A volatilidade nos mercados também deve turbinar as receitas da Cetip e da BM&FBovespa, segundo Milane.

Pelo mesmo motivo, empresas que têm preferido reduzir o endividamento e apostar no aumento da liquidez também devem ser recompensadas. Algumas, como a transportadora Tegma, a empresa de educação Estácio Participações, o laboratório Fleury e Cia Hering, tinham no final do primeiro semestre caixa pelo menos três vezes superior aos vencimentos de curto prazo, segundo a Economática, o que tende a beneficiar seus resultados. "Além do ganho, é um indicador de saúde financeira importante para épocas como a atual", disse o sócio da consultoria RiskOffice, Alberto Jacobsen.

As receitas com exportação também devem começar a ganhar relevância mas, pelo menos no terceiro trimestre, devem ainda se concentrar nas empresas que têm um ciclo exportador permanente. O grupo inclui as produtoras de celulose Fibria e Suzano; as produtoras de alimentos Brasil Foods e JBS, e de jatos, Embraer.

Para empresas de alguns segmentos, a alta do dólar não deve ser suficiente para compensar a queda do consumo doméstico. É o caso das siderúrgicas, cuja produção de aço bruto recuou 5,6% em agosto na comparação anual, apesar de salto de quase 70% nas exportações, segundo o Instituto Aço Brasil (IABr).

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) prevê impacto favorável do dólar mais alto sobre as exportações só a partir de 2016.

Companhias com filiais no exterior, caso da fabricante de motores Weg, e da Valid, de meios de pagamentos, também tendem a se destacar no trimestre, disse Milane, do Santander Brasil. Para os setores mais ligados ao mercado doméstico, o desafio é limitar o tamanho do prejuízo. (Com informações da Reuters).

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