Exportadores agrícolas mudam posição para negociar na OMC

Para tentar desobstruir as negociações em torno da abertura do comércio mundial de produtos agrícolas, o Grupo de Cairns, formado pelos principais países exportadores desses produtos, vai reavaliar a sua posição nas discussões da Organização Mundial do Comércio (OMC).Segundo informou hoje o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que participou de reunião do grupo, no início desta semana, na Costa Rica, o documento do Grupo de Cairns é mais ambicioso do ponto de vista da abertura de mercados agrícolas do que a agenda de Doha, como é conhecida a atual etapa de negociações da OMC. ?A idéia é flexibilizar o nosso documento (referindo-se ao Grupo de Cairns), colocando-o mais próximo de Doha, para que dessa forma possamos tentar uma compatibilização entre o nosso papel e o papel de Derbez?, afirmou, referindo-se ao documento elaborado pelo ministro das Relações Exteriores do México, Ernesto Derbez, que tenta seguir as orientações da rodada Doha.Para que esse objetivo seja cumprido, na reunião da Costa Rica ficou acertado que os ministros da agricultura dos 17 países que integram o Grupo de Cairns responderão a 25 perguntas formuladas pelo governo brasileiro. As perguntas, relacionadas às negociações internacionais, foram feitas com base nas recentes mudanças do comércio agrícola: a nova lei agrícola norte-americana, reforma da Política Agrícola Comum na União Européia e entrada da China na OMC, entre outros.As respostas serão enviadas aos embaixadores brasileiros em Genebra, sede da OMC, que se encarregarão de compará-las com o documento de Doha. ?O questionário permitirá reestudar a posição de Cairns quanto à sua declaração inicial. A partir daí, haverá uma comparação entre um eventual novo documento com o texto elaborado em Doha que leve a uma efetiva negociação flexibilizada no capítulo agrícola na OMC?, afirmou Rodrigues. A expectativa é que até o começo de abril o documento esteja pronto.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.