Exportadores buscam o governo para promover produto nacional

Ações de facilitação comercial envolvem participação em feiras como a World Food Moscow, em setembro

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2014 | 02h04

O embargo russo a alimentos da Europa, Estados Unidos e outros países movimentou as empresas exportadoras brasileiras. O governo foi procurado para deslanchar uma série de ações de facilitação comercial, aperfeiçoamento logístico e promoção de produtos nacionais em feiras comerciais na Rússia - a principal delas, a World Food Moscow, está prevista para setembro.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) espera que os volumes embarcados continuem subindo, mas não faz projeções. As vendas brasileiras entram numa cota de 500 mil toneladas, destinada pelos russos a todos os países que não sejam europeus ou os EUA, mas o Brasil nunca conseguiu preencher essa totalidade. O recorde foi de 460 mil toneladas em 2007.

De acordo com Fernando Sampaio, diretor executivo da associação, a preocupação neste momento é "manter um controle sanitário estrito dentro da fábrica" e habilitar novas plantas brasileiras. "A cota não é um problema, não vai ser isso que vai restringir as exportações."

Com a habilitação de empresas nas últimas semanas, subiu para 40 mil toneladas em julho o volume de carne embarcado para a Rússia, segundo a Abiec.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, concorda quer o principal problema para a oferta acompanhar a demanda do país é o humor dos compradores russos.

"Temos há algum tempo uma relação tensa com ele", afirmou. "A produção de frango é flexível porque o ciclo é curto. Mas, para suínos, a ampliação precisa ser muito bem contratada. Ninguém vai investir sem garantia (de demanda). Os contratos devem ser bem amarrados, por mais de um ano, para o produtor ter estabilidade."

Logística. A venda de frutas, por outro lado, não deve se beneficiar da decisão de Vladimir Putin, devido à ausência de voos e rotas marítimas diretas entre Brasil e Rússia. "Como o volume é baixo, podemos aumentar 100%, 200%, 300% muito rapidamente", avalia Cloves Ribeiro Neto, gerente de inteligência de mercado do Instituto Brasileiro de Frutas.

Eventuais disputas comerciais com os russos também tendem a se resolver mais facilmente agora, depois da entrada do país na Organização Mundial do Comércio (OMC), ressaltou o consultor Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do governo Lula. "Temos um foro de discussão que não tínhamos no passado." / I.D. e N.S.

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