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Exportadores estão pessimistas mostra pesquisa da FGV

Índice de Confiança da Indústria (ICI) de exportadoras está em 86,9 pontos; abaixo de 100, indica pessimismo

Alessandra Saraiva, de O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2009 | 18h25

A recuperação da indústria voltada à exportação segue ainda abaixo da retomada geral do setor industrial do País. Levantamento especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), feito a pedido da Agência Estado, revela que os resultados mais recentes do Índice de Confiança da Indústria (ICI) não são tão otimistas quando concentrado apenas neste segmento. Em um universo de 66 exportadoras pesquisadas - com mais de 50% de seu faturamento em vendas externas -, o ICI foi de 86,9 pontos em setembro, o menor nível para o mês em oito anos. Por esta tabela, resultados abaixo de 100 pontos indicam pessimismo.

 

O câmbio é apontado como o principal motivo para as expectativas adversas da indústria exportadora. O diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ressalta que, na comparação com meses anteriores, houve melhora na confiança do exportador em setembro. Mas acredita que o desempenho este ano ainda está longe do apresentado em 2008.

 

A previsão mais recente da AEB para 2009 é que o volume de exportações brasileiras atinja US$ 153 bilhões, saldo 22,3% inferior ao apurado em 2008, quando as vendas externas brasileiras bateram US$ 197 bilhões. A AEB tende a revisar para cima a estimativa. "Mas mesmo com a revisão, não chegará, nem de longe, perto do desempenho que tivemos no ano passado", acrescentou.

 

O coordenador de Análises Conjunturais da FGV, Aloisio Campelo, avalia que a retomada da economia brasileira continua atrelada ao consumo interno, cuja demanda se recupera de forma mais rápida. "A demanda externa está se recuperando, mas ainda de forma muito lenta e gradual", afirmou. O ICI dos exportadores, calculado em escala de 0 a 200 pontos, também foi menor do que o da indústria da transformação como um todo, que alcançou 109,5 pontos.

 

"O mês de setembro apresentou uma grande melhora em relação a agosto, quando a confiança dos exportadores foi de 71,1 pontos. Mas ainda está abaixo do registrado em 2008", disse Campelo. No levantamento da fundação, é possível perceber que o ICI no primeiro semestre de 2008 entre as companhias exportadoras ficou acima de 100 pontos (o que significa otimismo), em todos os meses daquele período. No primeiro semestre de 2009, o ICI das exportadoras atingiu níveis entre 40 e 60 pontos.

 

O principal problema observado por Castro para a rentabilidade dos exportadores é o câmbio. Para a AEB, um "patamar de equilíbrio" para o dólar seria em torno de R$ 2,20. Nesse nível, a moeda norte-americana seria suficiente para angariar lucro nas exportações e, ao mesmo tempo, não elevaria tanto os custos dos empresários com a compra de insumos importados.

 

Porém, o cenário atual não aponta para um patamar acima de R$ 2 para o dólar no curto prazo, na análise do economista da LCA Consultores Francisco Pessoa. A estimativa do especialista é que o dólar fique em R$ 1,65 ao final de 2009. "Mesmo com a medida de taxação via IOF de 2% para capital estrangeiro (anunciada pelo governo para conter a enxurrada de dólares no País), a tendência é de apreciação cambial", afirmou o economista.

 

Sobre o IOF, tanto Castro como Pessoa encararam a medida como de pouco efeito para conter, de forma expressiva, a apreciação do real. Isso porque há cada vez mais perspectivas de entrada de recursos estrangeiros no País, no médio prazo. Um dos exemplos citados por Pessoa foi a previsão de investimentos para o pré-sal, que demandará recursos de US$ 400 bilhões. Para ele, grande parte dos investimentos devem vir do capital estrangeiro.

 

O diretor da Tendências Consultoria Nathan Blanche também prevê o dólar a R$ 1,65 ao final de 2009. Na análise do especialista, há a possibilidade de elevar a cotação para em torno de R$ 1,70 e R$ 1,75 no ano que vem, devido a um fator: o ano de eleições. Ele lembrou que será a primeira vez em oito anos que Luiz Inácio Lula da Silva não concorrerá e isso pode deixar os investidores estrangeiros mais cautelosos em relação ao Brasil, o que pode inibir um pouco a entrada de capital estrangeiro.

 

Mas não será suficiente para elevar o dólar acima de R$ 2, em sua avaliação. "O que os exportadores têm que fazer é aumentar o faturamento via produtividade, e não pelo câmbio", lembrando que as exportações brasileiras tem pouca penetração de manufaturados e ainda são muito concentradas em commodities, cujos preços são fortemente influenciados pelo dólar.

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