Exportadores gaúchos vão a Brasília para audiência com Mantega

Representantes de segmentos exportadores gaúchos devem ter audiência na quarta-feira, às 17h30, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para discutir a perda de competitividade gerada pelo câmbio e apresentar reivindicações. No caso dos calçadistas, uma delas é a linha de crédito para capital de giro anunciada em maio, citou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Teutônia (RS), Roberto Müller. A audiência seria nesta terça-feira, mas o nevoeiro que fechou o aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, esta manhã impediu a viagem de alguns dirigentes.O objetivo da reunião com Mantega é tentar "sensibilizar" o governo no sentido de adotar medidas com impacto sobre o câmbio, disse Müller, que leva um exemplo recente de problemas no setor. A audiência coincide com o fechamento de uma indústria em Teutônia, a JR Calçados, que ontem (3) encerrou a atividade, demitindo 110 funcionários. A linha de crédito divulgada em maio para atender segmentos exportadores e intensivos em mão-de-obra, com recursos de R$ 400 milhões vindos do Fundo de Amparo ao Trabalhador, não estaria avançando por razões burocráticas e de risco do Banco do Brasil, relatou Müller.O BB no Rio Grande do Sul informou que começou a operar no dia 12 de junho com a linha de crédito e há mais de 50 propostas em andamento. Somente a agência do Vale dos Sinos, pólo calçadista gaúcho, tem mais de 30 propostas encaminhadas. O BB contestou a avaliação de que o risco seria obstáculo ao financiamento. Nesta e em todas as operações de crédito o risco é do banco, observou o BB.As indústrias de fumo, que exportam 85% da produção, também levam para a audiência a preocupação com o câmbio e a compensação pela desoneração da Lei Kandir, disse o presidente do Sindicato das Indústrias de Fumo (Sindifumo-RS), Iro Schünke. Como o Estado considera insuficiente o repasse, retém os créditos de ICMS dos exportadores.Acordo O governo gaúcho divulgou nesta terça-feira um acordo com as indústrias para o aproveitamento de créditos de ICMS nas compras de fumo de Santa Catarina e Paraná, processado no Rio Grande do Sul. Os créditos gerados nas operações até agora - já que há incidência de 12% de ICMS interestadual - serão aproveitados ao longo dos próximos anos. Os governos dos três Estados devem negociar para que não haja incidência de ICMS nas compras de fumo entre eles.As indústrias de fumo exportaram US$ 1,7 bilhão no ano passado, mas as dificuldades com o câmbio fazem o setor prever uma queda na área cultivada na safra 2007. A expectativa é de redução entre 10% e 15%, ante os 416 mil hectares cultivados nos três Estados do sul na safra 2005/06. A comercialização da safra termina em julho.

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